Goianésia - O protagonismo feminino no campo vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Dados do Censo Agropecuário de 2024, do IBGE, mostram que aproximadamente 947 mil mulheres comandam propriedades rurais em todo o país. Quando consideradas as gestões compartilhadas com homens, esse número sobe para 1,7 milhão. A presença feminina no agro vai muito além do trabalho braçal: ela ocupa espaços estratégicos, de liderança, gestão e inovação.
Em Goianésia, mulheres como Amélia Maria, vaqueira há 20 anos, representam essa realidade com dedicação e orgulho. Atuando diariamente na lida do gado, ela compartilha sua trajetória: “A minha profissão, ela é muito boa. Eu gosto muito dessa profissão de vaqueira. Trabalho na lida do gado, ajudo a mexer no curral, ando a cavalo, se for preciso eu entro no curral, ajudo na vacinação, na venda de touros, a curar o gado, a aplicar remédio. Pra mim, essa profissão é algo que Deus escolheu pra mim.”
Esse crescimento também pode ser observado fora da porteira. De acordo com um levantamento da agência Macfor, as mulheres já ocupam cerca de 34% dos cargos de liderança no agronegócio, um aumento de 79% nos últimos sete anos. Além disso, elas lideram no ambiente digital: 75% dos cadastros no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) são feitos por mulheres, o que mostra seu engajamento e capacidade de gestão nos negócios rurais.
Luciana Amaral, goianesiense que atua como coordenadora em um seringal, é um exemplo dessa força feminina nos cargos de chefia. “Representar as mulheres, pra mim, dentro da minha profissão, é uma grande honra. Ainda mais sendo a primeira a pegar um cargo de liderança na fazenda. Cada vez mais, as mulheres vêm ganhando espaço no agronegócio. O campo vem se renovando, trazendo novos desafios, e estamos mostrando que o lugar da mulher é onde ela quiser estar”, afirma.
Em Goiás, o papel da mulher no agro é ainda mais expressivo. Durante o III Encontro Mulheres em Campo, realizado em Aparecida de Goiânia, mais de mil produtoras rurais se reuniram para fortalecer o protagonismo feminino no setor. A primeira-dama do estado, Gracinha Caiado, destacou que 30% das propriedades rurais goianas são administradas por mulheres, número que reflete a transformação social e econômica promovida por elas.
A força dessas mulheres tem impacto direto em cidades do interior como Goianésia, que se consolida como um dos principais polos sucroenergéticos de Goiás. O avanço feminino no campo representa mais que equidade: é um movimento de inovação, produtividade e desenvolvimento sustentável.




