Goianésia - Um exame de sangue aprovado recentemente pela FDA (Food and Drug Administration), nos Estados Unidos, pode mudar o futuro do diagnóstico do Alzheimer. A nova tecnologia permite identificar marcadores biológicos da doença de forma menos invasiva, mais acessível e em estágios iniciais.
Embora ainda não esteja disponível no Brasil, o método já está sendo avaliado para implementação e pode beneficiar milhões de brasileiros com declínio cognitivo.
De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), cerca de 1,2 milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência no país, e de 60% a 70% desses casos estão relacionados ao Alzheimer. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 55 milhões de pessoas convivam com a doença — número que deve triplicar até 2050.
A neurologista Roussiane Gaioso, cooperada da Unimed Goiânia, explica que o novo exame analisa proteínas específicas do plasma sanguíneo, como a tau e a beta-amiloide, que refletem alterações cerebrais típicas do Alzheimer.
“Essas proteínas funcionam como biomarcadores, antes detectados apenas por exames mais complexos, como o PET scan ou pela punção lombar. Agora, o sangue pode revelar essas alterações de forma mais simples e precoce”, explica a médica.
O teste é recomendado para pacientes acima dos 55 anos que apresentem queixas de memória ou sinais de declínio cognitivo. “A vantagem é que ele consegue identificar o processo biológico inicial da doença antes mesmo de surgirem sintomas perceptíveis. Isso amplia as chances de intervenção e de qualidade de vida”, acrescenta a neurologista.
Apesar do avanço, a especialista alerta que o exame não deve ser usado como triagem populacional em pessoas assintomáticas. “A presença dos biomarcadores não significa que o indivíduo desenvolverá demência, apenas indica que há alterações compatíveis com a patologia. Por isso, o resultado precisa ser interpretado dentro do contexto clínico, com acompanhamento neurológico adequado”, ressalta.
Segundo a médica, o novo teste não substitui os métodos tradicionais, mas complementa o diagnóstico, permitindo uma abordagem mais rápida e estratégica. “É o início de uma nova era: um diagnóstico mais precoce, menos invasivo e com potencial de alcançar muito mais pessoas”, afirma.
Para a Dra. Roussiane, o impacto vai além do tratamento. “Detectar o Alzheimer precocemente muda o rumo da vida do paciente e da família. Dá tempo de planejar, decidir e agir com mais autonomia. Cuidar antes é garantir mais qualidade de vida por mais tempo”, conclui.



