Prática pode configurar jogo de azar e lavagem de dinheiro

Goianésia-Com o crescimento das redes sociais, multiplicam-se também “estratégias de marketing digital” que prometem ganhos rápidos, muitas vezes apresentadas como rifas ou sorteios online. Embora existam promoções legalmente autorizadas, autoridades têm alertado para o aumento de esquemas fraudulentos promovidos por influenciadores digitais, prática que segue gerando prejuízos financeiros a consumidores em 2026.

Além do impacto econômico, esse tipo de atividade pode envolver crimes mais graves. O advogado Rafael Paiva explica que, em alguns casos, as rifas ilegais são utilizadas como mecanismo para lavagem de dinheiro. “A lavagem de dinheiro ocorre quando alguém tenta dar aparência de legalidade a recursos obtidos por meio de atividades criminosas, seja em uma única operação ou em várias transações fracionadas”, esclarece.

Em dezembro de 2025, um casal de influenciadores digitais passou a ser investigado pela Polícia Civil por promover rifas ilegais na internet, com a oferta de prêmios como imóveis, veículos e altas quantias em dinheiro. De acordo com a legislação brasileira, esse tipo de prática pode ser enquadrado como contravenção penal relacionada a jogos de azar e, dependendo da forma de operação, também como crime de lavagem de dinheiro, especialmente quando há indícios de ocultação ou dissimulação da origem dos valores.

Segundo Rafael Paiva, o volume financeiro movimentado chamou a atenção das autoridades. “O que temos observado é que muitos influenciadores acabam sendo cooptados por organizações criminosas para atuar nesses esquemas, justamente por terem grande alcance nas redes sociais. A visibilidade ajuda a justificar uma ascensão financeira rápida, supostamente ligada a contratos de publicidade e parcerias”, explica.

O alerta das autoridades é claro em relação a promessas de dinheiro fácil, que raramente são legais. A participação ou promoção de rifas e sorteios irregulares pode resultar em prisão, aplicação de multas e outras consequências nas esferas cível e criminal. A orientação aos consumidores é verificar se a promoção possui autorização dos órgãos competentes e se segue a regulamentação vigente, evitando armadilhas que podem gerar prejuízos financeiros e problemas com a Justiça.