Neurologista alerta para o avanço dos casos e reforça o papel da prevenção e do diagnóstico precoce

 

Goianésia - Mais de um milhão e meio de idosos convivem com algum tipo de demência no Brasil, sendo o Alzheimer a forma mais frequente. A doença atinge principalmente pessoas com mais de 65 anos, mas cerca de 10% dos diagnósticos ocorrem de forma precoce, antes dessa faixa etária. Para o neurologista José Guilherme, o crescimento no número de casos está relacionado ao avanço do diagnóstico e à maior circulação de informações sobre o tema. “Estamos identificando mais casos porque a população tem buscado mais ajuda médica. Quando a informação chega, o diagnóstico aumenta”, afirma.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, progressiva e sem cura, marcada por perda de memória, dificuldades de linguagem e alterações no comportamento. Embora não seja possível reverter a morte dos neurônios, o especialista explica que a progressão pode ser desacelerada por meio do fortalecimento das conexões cerebrais. “O neurônio que morreu não se regenera, mas é possível criar novas conexões. Isso acontece com estímulo cognitivo: conversas, palavras cruzadas, pintura, bordado, cozinhar algo diferente. Tudo isso desafia o cérebro e amplia essas conexões”, explica.

Entre os principais fatores de risco estão o envelhecimento e a predisposição genética, além de condições como baixo nível de escolaridade, obesidade, tabagismo, sedentarismo, diabetes, hipertensão e depressão sem tratamento adequado. Pesquisas também associam a doença à má qualidade do sono, ao isolamento social, ao consumo excessivo de álcool, a traumatismos cranianos, à perda auditiva e à exposição prolongada à poluição do ar.

Estudos indicam que até 48% dos casos poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida. A redução do consumo de álcool e cigarro, o controle de doenças crônicas, o cuidado com a saúde mental, a prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada figuram entre as principais estratégias para diminuir os riscos e retardar o desenvolvimento da doença.

O diagnóstico precoce permite intervenções mais eficazes, facilita o planejamento familiar e contribui para melhor qualidade de vida dos pacientes. Segundo o neurologista, o Alzheimer de início precoce é caracterizado quando os sintomas surgem antes dos 65 anos. “Identificar cedo ajuda no manejo da doença e na adoção de hábitos que retardam sua progressão”, pontua.

O avanço da conscientização sobre os sinais do Alzheimer, aliado à adoção de medidas preventivas, pode reduzir de forma significativa os impactos da doença no país. Informação qualificada e hábitos saudáveis seguem como ferramentas centrais no enfrentamento de um problema que cresce de forma silenciosa no Brasil.