Goianésia-Casos recentes envolvendo uma adolescente de 13 anos que fugiu de casa após trocar mensagens com um homem de 19 anos pelo Discord e uma falsa oferta de hospedagem em Pirenópolis chamam atenção para diferentes tipos de crimes praticados com o uso de plataformas digitais.
As situações têm em comum a abordagem por meios virtuais e mostram como criminosos podem utilizar estratégias de convencimento para atrair vítimas.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Marco Antônio Maia orientou pais e responsáveis sobre os cuidados com crianças e adolescentes no ambiente virtual. Ele também explicou como identificar anúncios suspeitos de hospedagem e quais providências devem ser tomadas diante de uma possível fraude.
Abordagem virtual preocupa autoridades
O caso envolvendo uma adolescente de 13 anos, localizada pela Polícia Civil em Anápolis, está sob investigação. Segundo o delegado, a apuração ainda não permite a divulgação de todos os detalhes, principalmente por envolver uma menor de idade e suspeitas relacionadas a crimes de natureza sexual.
Marco Antônio Maia afirmou que a ocorrência serve como alerta para famílias que acompanham a utilização das redes sociais por crianças e adolescentes.
“Esse caso específico é um belo trabalho da Polícia Civil de Anápolis. Ainda não conseguimos entrar em muitos detalhes, porque é uma investigação que, como envolve crianças e crimes sexuais, está sob sigilo, mas serve de alerta para nós, pais, e para as pessoas ficarem atentas.”
De acordo com o delegado, a adolescente teria conhecido o suspeito por meio do Discord, plataforma que permite comunicação por mensagens, chamadas de voz e vídeo. A investigação aponta que o contato virtual evoluiu para uma situação em que a menina deixou a residência onde morava e posteriormente foi encontrada em um barracão abandonado.
Conversas podem ser usadas para manipular vítimas
A utilização de plataformas digitais para estabelecer contato com possíveis vítimas é uma preocupação apontada pelo delegado. Segundo ele, criminosos podem criar uma relação de confiança antes de fazer pedidos ou induzir a vítima a determinadas atitudes.
Marco Antônio explicou que esse tipo de abordagem pode envolver manipulação e criação de histórias para convencer crianças e adolescentes a esconder informações dos familiares.
“Essas pessoas vão se comunicando, é uma plataforma aberta, qualquer um pode entrar em contato. Aparentemente, essa adolescente começou a conversar com esse rapaz. Ele tenta induzi-la a fugir de casa e inventar histórias para os pais.”
O delegado afirmou que situações semelhantes não estão restritas a uma única plataforma. Por isso, o acompanhamento deve envolver os diferentes aplicativos utilizados pelos filhos.
“Não só o Discord, mas WhatsApp, Facebook, Instagram e todas essas redes sociais. A gente tem que ter realmente controle sobre com quem nossos filhos e adolescentes estão conversando.”
Para Marco Antônio Maia, a relação de confiança entre pais e filhos é um dos principais instrumentos para identificar mudanças de comportamento relacionadas ao uso da internet.
Ao explicar como as famílias podem agir diante de uma possível tentativa de aliciamento, o delegado orientou que o diálogo deve estar entre as primeiras medidas adotadas.
“O primeiro passo é conversar com seus filhos, explicar para eles que é importante saber com quem estão conversando. Ter um diálogo de confiança, mostrar que pai e mãe são parceiros deles.”
Além do acompanhamento familiar, o delegado mencionou a existência de ferramentas que permitem aos responsáveis monitorar a utilização das redes sociais pelos filhos. A medida pode ajudar a identificar contatos desconhecidos ou comportamentos que indiquem uma situação de risco.
Mudanças de comportamento podem indicar alerta
O delegado também apontou alguns sinais que podem chamar a atenção dos familiares, como isolamento, tentativa de esconder o celular e exclusão de conversas quando os responsáveis se aproximam.
Segundo Marco Antônio, criminosos podem pedir que a vítima mantenha o contato em segredo, criando uma barreira entre ela e a família.
“Eu vejo muito no dia a dia o isolamento. A pessoa está no celular e tenta esconder, você vai pegar o aparelho e ela tenta apagar o que está vendo. O isolamento, o sigilo dentro de casa, tentar ficar muito tempo no quarto escondido conversando, tudo isso já é um alerta.”
Diante de uma suspeita, a orientação é evitar uma abordagem que possa alertar o possível criminoso sobre a descoberta. A recomendação é procurar as autoridades e deixar que a investigação seja conduzida pelos órgãos responsáveis.
“O ideal é correr na polícia, avisar a polícia, não avisar para ele que sabe e deixar nas mãos da polícia, para que ela faça o trabalho e descubra e prenda esse indivíduo o mais rápido possível.”
Falsa hospedagem utiliza anúncios de imóveis reais
Outro caso comentado durante a entrevista envolve uma pessoa que contratou uma hospedagem em Pirenópolis, mas descobriu a fraude somente ao chegar ao endereço.
Segundo o delegado, esse tipo de crime costuma explorar o interesse de turistas por imóveis e hospedagens, utilizando anúncios e imagens para criar uma oferta aparentemente legítima.
A estratégia pode envolver a reprodução de anúncios verdadeiros e a divulgação de valores abaixo dos praticados normalmente, fazendo com que a vítima tenha interesse em concluir rapidamente a negociação.
“Em regra, as pessoas clonam um anúncio de jornal, daquele negócio criado, e fazem propaganda. Principalmente quando a pessoa está no WhatsApp, aparece uma propaganda no Instagram, ela clica e encontra uma promoção. O golpista sempre usa algo para chamar muita atenção. Em regra, é um preço um pouco abaixo do mercado.”
Depois do pagamento, a vítima pode descobrir a fraude somente ao chegar ao endereço indicado e perceber que a reserva não existe ou que o imóvel não está disponível.
Pesquisa deve ser feita antes do pagamento
Para evitar esse tipo de situação, o delegado orienta que o consumidor não conclua uma contratação apenas a partir de links recebidos por redes sociais ou aplicativos de mensagens.
A recomendação é utilizar os canais oficiais da hospedagem para confirmar as informações.
“Se alguém clicou, chegou uma propaganda, gostou, saia daquela página e entre no site oficial daquela pousada ou hotel. Se realmente tiver interesse em se hospedar, faça a negociação diretamente por esse canal.”
Outra alternativa é utilizar plataformas especializadas em hospedagem, que possuem mecanismos próprios de cadastro e pagamento. Ainda assim, o delegado recomenda confirmar diretamente com o estabelecimento se a oferta e os dados apresentados são verdadeiros.
Dados do pagamento devem ser conferidos
A conferência das informações antes da transferência é outro cuidado indicado pelo delegado. Segundo ele, o consumidor deve verificar quem será o destinatário do PIX e se os dados correspondem à empresa ou ao responsável pela hospedagem.
“Na hora de fazer o pagamento, é muito importante conferir qual é o PIX e o CNPJ. Se você vai ficar em uma pousada grande e aparece um PIX em nome de uma pessoa, provavelmente é fraude, porque uma empresa grande terá um PIX vinculado ao CNPJ ou ao responsável.”
A orientação é observar os dados exibidos no momento da transferência e desconfiar quando as informações não forem compatíveis com o estabelecimento anunciado.
Vítima deve contestar PIX rapidamente
Caso a pessoa perceba que realizou uma transferência para um golpista, o delegado orienta que a contestação seja feita imediatamente pelo aplicativo da instituição financeira.
Ele citou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), utilizado em casos de fraude envolvendo PIX.
“A primeira coisa é entrar no aplicativo do celular e contestar o pagamento, que é o MED. Se for golpe, o sistema tenta bloquear o valor. O Banco Central entra com mecanismos para rastrear esse dinheiro e, onde ele estiver, pode ser bloqueado.”
Após realizar a contestação, a vítima deve procurar a polícia para registrar a ocorrência e fornecer informações que possam contribuir com a investigação.




