Goianésia- O mês de março abre espaço para ampliar o debate sobre inclusão e respeito às diferenças. Em Goianésia, famílias e instituições ligadas à causa do autismo têm buscado fortalecer ações de informação e acolhimento. Entre as iniciativas está a terceira carreata de conscientização do autismo, organizada pela Associação Acolher, marcada para o dia 28 de março.
A mobilização pretende envolver a comunidade e ampliar o entendimento sobre o transtorno do espectro autista, incentivando o diagnóstico precoce, o respeito às particularidades de cada pessoa e a presença de autistas em diferentes espaços da sociedade. A ação também busca aproximar famílias e criar oportunidades de diálogo sobre desafios e direitos.
Durante entrevista exclusiva à RVC FM, o presidente da Associação Acolher, Claudinei Antônio Pereira, explicou como surgiu a entidade e quais atividades vêm sendo realizadas junto às famílias da cidade.
“A associação nasceu em 2023, quando muitas famílias começaram a procurar a gente para tirar dúvidas sobre o autismo. Como ficava difícil responder todo mundo individualmente, decidimos reunir algumas pessoas e organizar uma associação. Criamos também um grupo que hoje reúne mais de 300 famílias. A partir daí passamos a promover reuniões, palestras e rodas de conversa para trocar informações e apoiar principalmente as mães que lidam diariamente com os desafios do autismo.”
Segundo ele, além das atividades informativas, os encontros também funcionam como espaço de acolhimento emocional para as famílias, que muitas vezes enfrentam dificuldades no cuidado diário com os filhos e na busca por serviços especializados.
A acadêmica de Serviço Social e mãe atípica, Daiane Ribeiro Ferreira, também participou da entrevista e comentou sobre os principais obstáculos enfrentados por quem convive com o autismo no cotidiano.
“Hoje uma das maiores dificuldades é o acesso a terapias e acompanhamento médico. Muitas famílias dependem do SUS e a demanda é muito grande, o que dificulta marcar consultas e retornos com especialistas. Além disso, há casos de medicações com custo elevado e também situações complicadas no ambiente escolar, que ainda precisa avançar na inclusão.”
A carreata surgiu justamente como uma forma de ampliar o conhecimento da população sobre o autismo e estimular atitudes mais compreensivas diante de comportamentos que, muitas vezes, são mal interpretados.
“A ideia foi fazer um movimento para divulgar a associação e despertar nas pessoas o respeito e o acolhimento. Muitas vezes uma criança autista entra em crise em um local público e quem está de fora pensa que é birra, mas na verdade pode ser uma forma de ela se regular emocionalmente. Quanto mais informação a sociedade tiver, mais fácil será entender essas situações e tratar essas famílias com empatia”, relata Claudinei.
É necessário compreender que o autismo se manifesta de formas diferentes em cada pessoa, inclusive nos níveis considerados mais leves de suporte. “Muita gente acredita que apenas casos mais evidentes precisam de atenção. Mas mesmo quando a criança fala, interage e parece não ter dificuldades aparentes, ela pode enfrentar desafios importantes, principalmente emocionais e de compreensão. Por isso, independentemente do nível de suporte, a pessoa precisa ser ouvida e acompanhada.”, explicou Daiane.
Para este ano, a carreata contará com participação de famílias, motoclubes, ciclistas e instituições parceiras da cidade. A concentração está marcada para as 7h30, em frente ao Banco do Brasil, na região da Praça da Matriz.
“A gente convida toda a população de Goianésia para participar com a gente. A saída será na Praça da Matriz, seguindo pela Avenida Goiás até a Rua 40, passando pela Lagoa Princesa do Vale e encerrando próximo à Avenida Bahia. Depois vamos ter um momento de confraternização com todos que estiverem presentes. Não é só para autistas, é para toda a comunidade que apoia essa causa.”, conclui Claudinei.




