Goianésia- Uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) passou a integrar a Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br), sistema nacional mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com a integração, a tecnologia, chamada Berna, ficará disponível para tribunais de todo o país com o objetivo de auxiliar na identificação de ações repetitivas e no enfrentamento da chamada litigância predatória.
Antes de ser disponibilizada nacionalmente, a ferramenta analisou cerca de 2,5 milhões de processos protocolados entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026 em 88 tribunais brasileiros. A partir desse volume de dados, a inteligência artificial organizou os processos em mais de 353 mil grupos de ações com características semelhantes.
De acordo com o tribunal goiano, a tecnologia é capaz de identificar padrões de repetição em documentos processuais, como pedidos padronizados e argumentos jurídicos idênticos, situações frequentemente associadas ao ajuizamento em massa de ações semelhantes.
Segundo o diretor de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Estatística do TJGO, Antônio Pires de Castro, a ferramenta utiliza critérios matemáticos para identificar semelhanças entre peças processuais. Quando o sistema detecta um grau de similaridade acima de determinado índice, os processos são agrupados automaticamente em conjuntos de casos semelhantes.
A análise desses grupos permite que magistrados consultem rapidamente processos com características parecidas em seus tribunais, o que pode contribuir para a organização e análise de demandas repetitivas.
O juiz auxiliar da Presidência do TJGO, Gustavo Assis Garcia, afirma que a ferramenta pode ajudar no tratamento de casos com padrões semelhantes. Segundo ele, a identificação desses grupos possibilita análises conjuntas, respeitando as particularidades de cada processo, além de apoiar a atuação do Judiciário no combate à litigância predatória.
Já o presidente do TJGO, Leandro Crispim, destacou que a disponibilização da tecnologia para todo o país representa um avanço na política de inovação do Judiciário. Segundo ele, a ferramenta utiliza técnicas de processamento de linguagem natural para interpretar documentos processuais e identificar semelhanças entre teses jurídicas, transformando grandes volumes de dados em informações que podem apoiar a tomada de decisões.




