Goianésia-O mês de março, marcado por mobilizações em defesa dos direitos das mulheres, tem impulsionado a ampliação de ações voltadas ao enfrentamento da violência doméstica. Em Goianésia e região, a atuação da Patrulha Maria da Penha envolve acompanhamento de vítimas com medidas protetivas, visitas periódicas e orientações voltadas à segurança e à prevenção de novos episódios de agressão.
Responsável pela Patrulha Maria da Penha no município, a subtenente Jacqueline explica como funciona o trabalho realizado pela equipe e de que forma ocorre o atendimento às vítimas.
“O nosso principal atendimento é direcionado às mulheres que já sofreram violência, procuraram a delegacia ou a Polícia Militar, fizeram o registro da ocorrência e recorreram à Justiça. A partir disso, o juiz concede a medida protetiva com regras como o afastamento do agressor do lar e a proibição de contato. Nosso trabalho consiste em realizar visitas mensais a essa assistida e manter um canal aberto para denúncias e orientações”, afirma.
Ações de conscientização e parcerias no município
O trabalho da patrulha inclui iniciativas de prevenção e atividades de orientação voltadas à comunidade. Durante o mês de março, as ações ganham reforço por meio de parcerias com instituições públicas e projetos sociais voltados à proteção das mulheres.
Segundo a subtenente Jacqueline, o enfrentamento à violência doméstica depende da atuação integrada de diferentes órgãos e da ampliação do acesso das mulheres à rede de apoio.
“Aqui em Goianésia contamos com a Procuradoria da Mulher como parceira, assim como projetos direcionados à proteção de grupos vulneráveis. Realizamos palestras e atividades de esclarecimento para incentivar a denúncia e permitir que a Polícia Militar e a Justiça atuem com rapidez, oferecendo suporte às vítimas”, explica.
Número de medidas protetivas preocupa autoridades
Em relação ao cenário da violência doméstica na região, a subtenente observa que os dados oficiais não retratam a totalidade dos casos, uma vez que muitas situações permanecem sem registro.
Ao comentar a realidade do município, ela cita a quantidade de medidas protetivas atualmente em vigor.
“Hoje existem entre 150 e 200 medidas protetivas ativas apenas em Goianésia. Sabemos que muitas mulheres enfrentam situações de violência e não denunciam, seja por medo ou vergonha. Em diversas situações há dependência emocional ou financeira do agressor, o que leva a vítima a permanecer em silêncio”, relata.
A policial ressalta que a violência doméstica não se restringe às agressões físicas. Outras formas de abuso são frequentes e muitas vezes não são imediatamente reconhecidas como crime.
“Há diversas modalidades de violência, como a psicológica, moral e patrimonial. No trabalho da Patrulha Maria da Penha identificamos muitos casos de violência psicológica, sem contar as agressões físicas, que infelizmente continuam ocorrendo”, pontua.
Orientação é buscar ajuda aos primeiros sinais
Diante desse cenário, a orientação é procurar apoio ao perceber os primeiros indícios de abuso. Para a subtenente Jacqueline, romper o silêncio representa o primeiro passo para interromper o ciclo de violência.
“O ideal é não se calar. Às vezes um episódio considerado pequeno no início pode evoluir para situações extremas. Ao menor sinal de violência, é fundamental buscar ajuda. Se a mulher não se sentir preparada para procurar a polícia naquele momento, pode conversar com um psicólogo, assistente social ou alguém de confiança que a ajude a tomar essa decisão.”
Campanhas contribuem para ampliar denúncias
De acordo com a policial, campanhas de conscientização e maior acesso à informação têm contribuído para que mais mulheres procurem apoio e registrem ocorrências.
“A violência doméstica possui raízes culturais, mas esse cenário vem sendo transformado com campanhas educativas e com o fortalecimento da rede de apoio. Muitas mulheres estão se encorajando a denunciar e romper com o ciclo de violência.”
A Patrulha Maria da Penha orienta que denúncias podem ser feitas pelo telefone 190 ou diretamente pelo contato do programa em Goianésia, no número (62) 9955-6854, canal destinado ao atendimento de situações relacionadas à violência doméstica.




