Nova tecnologia poderá ajudar na redução da mortalidade

Goianésia-A incorporação de testes genéticos ao Sistema Único de Saúde representa um novo passo na prevenção e no acompanhamento do câncer de mama no Brasil. A medida anunciada pelo Ministério da Saúde permitirá identificar pacientes com predisposição hereditária à doença, possibilitando monitoramento especializado, definição de estratégias preventivas e diagnóstico em fases iniciais.

Os exames utilizam a tecnologia de Sequenciamento de Nova Geração, conhecida como NGS, método capaz de detectar alterações genéticas associadas a diferentes tipos de câncer. Entre os principais alvos da análise estão os genes BRCA1 e BRCA2, ligados ao aumento do risco de câncer de mama e de ovário.

A especialista em saúde pública e integrante do Conselho Municipal de Saúde, Dra. Rosa Steckelberg, explica como essas mutações influenciam o desenvolvimento da doença.

“Esses genes, conhecidos como BRCA1 e BRCA2, ajudam naturalmente na reparação do nosso DNA. Mas algumas pessoas herdam alterações que aumentam o risco de desenvolver câncer de mama, câncer de ovário e outros tipos de câncer ao longo da vida”, afirmou.

Ela também destacou que o resultado positivo para a mutação genética não significa, necessariamente, que a pessoa desenvolverá câncer, mas permite um acompanhamento mais atento.

A inclusão dos testes no SUS é considerada uma ampliação do acesso à medicina preventiva e personalizada, principalmente diante do alto custo desses exames na rede privada.

“Essa medida é um avanço porque vai ampliar o acesso a uma tecnologia que hoje ainda possui custo muito elevado na rede privada. Ou seja, o SUS passa a incorporar uma ferramenta importante da medicina preventiva e personalizada”, disse Dra. Rosa Steckelberg.

Segundo ela, a implantação ocorrerá gradualmente nos serviços especializados de saúde.

“É uma medida que tem 180 dias, a partir de maio, para ser implementada e será colocada em prática, principalmente em centros de oncologia e genética médica. Inicialmente, os testes vão priorizar pacientes com forte histórico familiar ou suspeita clínica de câncer hereditário”, relatou.

Desafios para ampliar atendimento

Apesar do avanço, especialistas apontam que a implementação da medida também enfrenta desafios relacionados à estrutura de atendimento e à disponibilidade de profissionais especializados.

“Hoje, nós temos, no Brasil inteiro, para uma população de 200 milhões de habitantes, apenas 500 geneticistas clínicos. Então, é um desafio muito grande”, afirmou Dra. Rosa Steckelberg.

Ela também comentou sobre a necessidade de ampliar o acesso aos serviços fora dos grandes centros urbanos.

“Outro desafio é fazer com que essa inovação realmente chegue aos municípios do interior, reduzindo as desigualdades regionais no acesso à saúde especializada”, disse.

Diagnóstico precoce e redução da mortalidade

A expectativa é de que os testes contribuam para ampliar o rastreamento de grupos de risco, aumentar as chances de diagnóstico precoce e reduzir os índices de mortalidade relacionados ao câncer de mama.

Como integrante do Conselho Municipal de Saúde e do SOMAR, entidade que acompanha pacientes com câncer em Goianésia, Dra. Rosa Steckelberg avaliou que a medida representa uma perspectiva positiva para o atendimento público.

“Essa notícia nos traz muita esperança, porque o câncer de mama continua sendo um grande problema de saúde pública, e iniciativas assim fortalecem a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e de um SUS cada vez mais moderno e acessível”, concluiu.

Especialistas apontam que a identificação antecipada de alterações genéticas permite monitoramento contínuo, definição de estratégias preventivas e início mais rápido do tratamento, quando necessário, aumentando significativamente as possibilidades de controle e cura da doença.