Evento reforça o papel da universidade na produção intelectual e no fortalecimento do pensamento crítico

Goianésia - A Universidade Estadual de Goiás (UEG) realiza, de 09 a 12 de junho de 2026, na Unidade Universitária de Goianésia, a II Semana Acadêmica de História. O evento debate o tema "História Cultural: teorias e práticas historiográficas" sob a coordenação do Prof. Dr. José Atanásio de Souza Filho, graduado em História pela UFRPE (1997), onde desenvolveu pesquisa sobre a História da Igreja Católica em Pernambuco com o tema: “Transição e ruptura na caminhada da Igreja em Recife entre 1965-1985”; Mestre em História pela UnB (2002) com pesquisa em Sociedades Abolicionistas, com o tema “O cenário social das sociedades abolicionistas em Goiás, (1870-1888) e doutor em História pela UFG (2018) com a pesquisa histórica sobre “A participação da província de Goiás na Guerra do Paraguai (1865-1867). O encontro científico busca refletir sobre a produção do saber histórico e suas implicações culturais na evolução civilizatória.

A produção de saberes e a evolução civilizatória no cotidiano

De acordo com o coordenador do curso de História da UEG em Goianésia, o evento evidencia a conexão intrínseca entre a ciência histórica e a vida prática, destacando o papel institucional que a universidade exerce no Campus Central.

"Esta iniciativa marca de forma profunda o sentido da História na nossa vida cotidiana. O evento significa uma oportunidade crucial de reflexão sobre os caminhos da produção de saberes que se materializam nas ações humanas e suas implicações culturais em nossa evolução civilizatória. O Curso de Licenciatura em História da UEG quer se mostrar, justamente, como a vitrine dessa preocupação intelectual da humanidade."

A ciência histórica frente às incertezas do presente e do futuro

O palestrante ressalta que a compreensão dos eixos temporais constitui a base estrutural para a evolução social, atuando diretamente nas dinâmicas que moldam a sociedade contemporânea.

"A História como ciência foi criada como um caminho indispensável para a compreensão das ações de homens e mulheres ao longo do tempo, tanto em nosso espaço de convivência quanto no meio ambiente que nos cerca. Estudar História é valorizar a ciência que se debruça sobre o mundo social que nos abarca, um processo dinâmico que se estende de um passado longínquo até o nosso presente, repleto de certezas e incertezas sobre o futuro."

A análise metodológica de causas e efeitos contra o esquecimento

O doutor em História detalhou o rigor metodológico que rege a estrutura da disciplina acadêmica no entendimento das continuidades e rupturas sociais.

"Como disciplina acadêmica, a História busca descrever e analisar eventos passados com o objetivo claro de compreender as causas e efeitos dos acontecimentos que antecederam e impulsionaram o desenrolar dos fatos. Investigamos como tais circunstâncias implicaram em novos eventos, demarcando a continuidade ou a ruptura de um feito humano no tempo. É nesse prisma que o tema gerador desta semana acadêmica se mostra original e fiel aos preceitos de Clio, a Musa da História, para aquilo que jamais deve ser esquecido pela humanidade: os feitos do passado devem ser compreendidos no presente em vista do aprimoramento no futuro."

A visão do corpo discente sobre a relevância científica e prática do evento

A relevância da imersão científica estende-se também para além do corpo docente, impactando de forma direta a formação dos estudantes da instituição. Presente na organização e nas atividades do encontro, a graduanda Julia Helena de Oliveira, discente do terceiro período do curso de Licenciatura em História, enfatizou a importância do evento para o amadurecimento acadêmico e pedagógico dos alunos.

Segundo a universitária, a oportunidade de discutir a pluralidade da História Cultural na própria unidade universitária funciona como um divisor de águas, conectando os debates teóricos da sala de aula com os desafios da pesquisa contemporânea. Ela ressalta que eventos dessa magnitude fortalecem a identidade dos futuros historiadores e professores da região de Goianésia, abrindo caminhos para que os estudantes desenvolvam o pensamento crítico necessário para decifrar as complexidades do presente e as projeções do futuro.

Cultura e a busca pela essência humana na contemporaneidade

Finalizando a apresentação dos fundamentos que norteiam o simpósio, o coordenador defendeu que a consciência histórica é o principal instrumento para a tomada de decisões assertivas e para o desenvolvimento da empatia social.

"Nossas escolhas e decisões sobre a vida devem ser melhor estudadas, analisadas e explicadas, a fim de evitar que erros pretéritos sejam repetidos no presente e impactem negativamente o futuro. É com esse espírito de aprimoramento que buscamos a continuidade das experiências humanas, as quais se estendem em nosso cotidiano através da cultura e nos aglutinam como indivíduos em convívio social. A História quer ser esse espaço de reflexão sobre o ser humano se constituindo no tempo em busca da humanidade. Estudar História significa aprender a ser humano, demasiadamente humano."