Quatro em cada dez brasileiros convivem com algum transtorno psicológico

Goianésia - A saúde mental dos brasileiros apresenta sinais de agravamento, enquanto cresce o uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio emocional. É o que aponta o Mind Health Report 2026, estudo internacional da seguradora AXA, que revela um cenário marcado pelo aumento do sofrimento psicológico, dificuldades de acesso ao tratamento e maior adesão a soluções tecnológicas para lidar com questões emocionais.

Segundo o levantamento, o Brasil alcançou 59,8 pontos no Mind Health Index (MHI), indicador que mede o bem-estar psicológico em uma escala de zero a 100. O resultado coloca o país na categoria de pessoas que apresentam redução do bem-estar emocional e maior risco de desenvolver transtornos mentais. A média global foi de 61,8 pontos.

O índice classifica os participantes em quatro grupos: saúde mental positiva, equilíbrio emocional, redução da vitalidade e sofrimento psicológico. Apenas 19% dos brasileiros foram enquadrados na condição considerada ideal, enquanto o mesmo percentual está na faixa de maior comprometimento emocional. Outros 30% mantêm um estado de equilíbrio e 32% demonstram perda de vitalidade.

Na comparação internacional, o Brasil ficou abaixo de países como Tailândia, México e Estados Unidos, mas acima de Reino Unido, Coreia do Sul e Japão.

O estudo também mostra que 80% dos entrevistados afirmam que sua saúde mental é afetada por diferentes fatores. As principais causas apontadas foram a instabilidade financeira e a insegurança no emprego, mencionadas por 56% dos participantes, percentual igual ao registrado para a preocupação com as incertezas sobre o futuro.

Outro dado relevante revela que 40% dos brasileiros afirmam conviver atualmente com algum problema relacionado à saúde mental. Os transtornos de ansiedade, fobias e estresse pós-traumático aparecem entre os mais frequentes, atingindo 23% dos entrevistados, enquanto 16% relataram depressão. Apesar disso, apenas 27% possuem diagnóstico médico formal.

O custo do tratamento continua sendo o principal obstáculo para quem precisa de atendimento especializado. Para 39% dos participantes, o preço das consultas e terapias impede a busca por ajuda profissional. Outros 23% apontam a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, enquanto 18% citam a falta de tempo devido à rotina de trabalho.

Diante dessas barreiras, cresce a utilização da inteligência artificial como recurso de apoio psicológico. De acordo com a pesquisa, 70% dos brasileiros já utilizam ferramentas de IA para lidar com questões emocionais, percentual superior à média mundial, de 63%. O país aparece atrás apenas de mercados como China e Turquia, superando nações como Estados Unidos, França e Japão.

Entre os usuários brasileiros, 27% recorrem regularmente à inteligência artificial para buscar informações, obter orientações sobre comunicação ou utilizar plataformas como espaço de desabafo. O levantamento, porém, chama atenção para um comportamento preocupante: 40% dos entrevistados que utilizam essas ferramentas afirmam confiar mais nas respostas fornecidas pela tecnologia do que nas orientações de profissionais de saúde.

Segundo Alexandre Campos, vice-presidente da AXA no Brasil, o tema ganhou relevância nas discussões sobre qualidade de vida e desenvolvimento econômico. Para ele, compreender as transformações no comportamento da população permite criar estratégias mais eficazes de prevenção, cuidado e proteção.

O ambiente de trabalho também aparece como um dos principais fatores de pressão emocional. Entre as pessoas economicamente ativas, 59% disseram ter enfrentado níveis moderados ou elevados de estresse profissional nos últimos 12 meses. Os impactos mais frequentes foram irritabilidade e alterações de humor, dores de cabeça e episódios de insônia.

Apesar da elevada incidência de sintomas, 46% dos trabalhadores afirmaram que não conversariam sobre problemas de saúde mental no ambiente corporativo. Entre os principais motivos estão a percepção de que o assunto pertence à esfera privada e o receio de sofrer prejuízos na carreira ou perder o emprego.

Por outro lado, 88% dos entrevistados disseram que participariam de programas de promoção da saúde mental caso fossem oferecidos pelas empresas. Ainda assim, o estudo aponta que 42% das organizações brasileiras não possuem políticas voltadas ao bem-estar psicológico dos colaboradores.

O Mind Health Report 2026 ouviu 19 mil pessoas em 18 países, incluindo mil participantes brasileiros, com idades entre 18 e 75 anos. As entrevistas foram realizadas no início deste ano e utilizaram amostras representativas da população adulta para avaliar as condições de saúde mental e os principais desafios enfrentados em diferentes regiões do mundo.