Delegado Marco Antônio Maia alerta para falsas cobranças, links suspeitos e conteúdos manipulados e orienta eleitores a consultar canais oficiais antes de compartilhar informações

Goianésia - Com a proximidade da votação, marcada para domingo, aumenta a circulação de conteúdos relacionados às eleições em redes sociais e aplicativos de mensagens. Nesse período, golpes podem explorar a preocupação dos eleitores com o título, o local de votação e possíveis pendências eleitorais. Segundo o delegado Marco Antônio Maia, criminosos têm utilizado mensagens falsas, cobranças indevidas e até recursos de inteligência artificial para tentar enganar a população.

Falsas cobranças e mensagens sobre o título

De acordo com o delegado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu alerta sobre possíveis golpes direcionados aos eleitores durante a reta final do processo eleitoral. Entre as práticas identificadas estão mensagens que simulam comunicações da Justiça Eleitoral e solicitam a regularização do título, do local ou da seção eleitoral.

O principal sinal de alerta, conforme Marco Antônio Maia, é a exigência de pagamento. Golpistas podem encaminhar mensagens, e-mails ou códigos QR Code associados ao Pix, alegando que o eleitor precisa quitar uma taxa para permanecer apto a votar.

“Nesse momento, qualquer mensagem, qualquer pedido de informação que tenha exigência de pagamento, tenha certeza de que é golpe. A Justiça Eleitoral não está cobrando nada pela regularização do título de eleitor nesse momento”, alertou o delegado.

Ele explicou ainda que eventuais multas relacionadas à ausência às urnas são tratadas posteriormente e não por meio de cobranças via Pix durante a reta final da votação.

Links podem ser usados para aplicar golpes

Outra preocupação envolve mensagens sobre o local de votação ou o número da seção. Segundo o delegado, criminosos podem enviar links para que o eleitor supostamente confirme dados ou consulte uma eventual alteração.

A orientação é não acessar links recebidos de forma suspeita. O eleitor deve procurar diretamente os canais oficiais para consultar informações sobre a votação.

“A Justiça Eleitoral não está mandando mensagem para ninguém. O eleitor é quem tem que entrar no site para pesquisar qual é a sua seção”, afirmou Marco Antônio Maia.

Ele ressaltou ainda que o recebimento de uma mensagem encaminhada por um familiar ou amigo não garante que o conteúdo seja verdadeiro. A pessoa que compartilhou a informação pode igualmente ter recebido um material falso e repassado sem realizar a checagem.

Inteligência artificial amplia circulação de conteúdos falsos

A utilização de inteligência artificial também aparece entre os principais desafios do atual processo eleitoral. Vídeos, áudios e imagens podem ser alterados para atribuir declarações ou comportamentos falsos a candidatos, dificultando a identificação de conteúdos manipulados.

Para o delegado, a evolução da tecnologia exige maior atenção dos eleitores, principalmente diante da dificuldade de reconhecer determinadas alterações apenas visualmente.

“Hoje, cautela é o nome que a gente fala para qualquer informação que vê na internet. Antes de repassar uma informação, sempre pesquise antes”, orientou.

A recomendação é conferir a informação em sites oficiais ou diretamente nas páginas dos veículos de comunicação citados no conteúdo. A verificação deve ocorrer antes de acreditar, compartilhar ou formar uma opinião com base em determinado vídeo, áudio ou imagem.

Rastreamento de conteúdos

Durante a entrevista, também foi mencionada a ferramenta Guaiá, apresentada em uma reunião com profissionais de imprensa realizada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Goiânia. A tecnologia será utilizada para auxiliar no rastreamento de conteúdos durante o processo eleitoral e no dia da votação.

Segundo Marco Antônio Maia, a ferramenta pode contribuir para identificar o caminho percorrido por determinado material e chegar à origem de conteúdos produzidos ou disseminados de forma irregular.

“Depois que alguém passar alguma informação, eles vão fazer o caminho contrário para tentar descobrir a origem, quem realmente produziu, quem fez aquilo, porque depois vai ter responsabilidade, além da eleitoral, criminal também”, explicou.

Prisões durante o período eleitoral

Outro ponto abordado na entrevista foi a regra relacionada às prisões durante os dias que antecedem a votação. O delegado explicou que a legislação eleitoral estabelece restrições ao cumprimento de determinados mandados de prisão nesse período, com o objetivo de evitar ações que possam interferir no processo eleitoral.

A restrição, segundo ele, alcança novos mandados de prisão temporária ou preventiva durante os cinco dias anteriores à eleição e até um dia depois da votação.

A regra, entretanto, não impede prisões em flagrante. Também podem ser cumpridos mandados relacionados a pessoas que já estavam foragidas e possuem condenação definitiva anterior.

Polícia estará em plantão durante as eleições

Ao final da entrevista, Marco Antônio Maia informou que as forças policiais estarão de plantão a partir de sábado para garantir a segurança durante o processo eleitoral.

O delegado também mencionou a restrição relacionada à venda de bebidas alcoólicas, conhecida como Lei Seca, prevista para começar no sábado, às 22h, conforme informado durante a entrevista.

A principal recomendação deixada aos eleitores foi de atenção durante a reta final. A orientação é desconfiar de cobranças inesperadas, evitar links recebidos por mensagens, consultar canais oficiais e verificar conteúdos antes de compartilhá-los.