Produtos adulterados e cirurgias até seis vezes mais baratas que o valor de mercado aumentavam a margem de lucro da clínica

Goianésia – Os influenciadores Karine Gouveia e Paulo César Dias, presos sob suspeita de deformar pacientes em uma clínica de estética em Goiânia, diluíam medicamentos para atender mais clientes e ampliar a margem de lucro. A informação foi confirmada pelo superintendente da Polícia Científica de Goiás, Ricardo Matos, em entrevista ao programa Fantástico. Mais de 60 pessoas já denunciaram o estabelecimento.

De acordo com a Polícia Civil, a clínica cobrava valores muito abaixo dos praticados no mercado, chegando a oferecer procedimentos por até seis vezes menos. Um dentista, apontado como um dos responsáveis técnicos pelo local, relatou em depoimento que a clínica cobrava cerca de R$ 5 mil por uma cirurgia de nariz, enquanto o custo médio cobrado por um cirurgião plástico seria de R$ 30 mil.

O dentista ainda afirmou ter aprendido os procedimentos "na prática" e chegou a realizar até oito intervenções em um único dia. Segundo a Polícia Civil, ele revelou que os atendimentos eram agendados com intervalos de menos de uma hora, tempo considerado insuficiente para procedimentos cirúrgicos. “Ele revelou que havia agendamentos com intervalos menores que uma hora, totalmente insuficientes para procedimentos cirúrgicos”, destacou o delegado Daniel Oliveira em nota oficial.

Prisões e investigação

O casal, proprietário da clínica, foi preso no dia 18 de dezembro durante uma operação policial que apura os danos físicos e psicológicos causados a pacientes submetidos aos procedimentos estéticos. Na última sexta-feira (17 de janeiro), a Justiça de Goiás prorrogou a prisão de ambos por mais 30 dias.

A defesa do casal, representada pelos advogados Romero Ferraz Filho, Tito Souza do Amaral e Caio Victor Lopes Tito, afirmou que as acusações devem ser avaliadas com base no devido processo legal. “Não raras são as vezes em que a Polícia Civil (PC) acusa, mas que, ao fim do processo, a Justiça entende de forma diferente”, declararam os advogados em nota. A defesa também ressaltou que os investigados ainda não foram ouvidos pelas autoridades.