Guerra comercial pode beneficiar o setor agrícola goiano, mas também coloca produtos em risco

Goianésia - Os efeitos da tarifação anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros podem gerar impactos negativos, mas também oportunidades para o agronegócio goiano. Segundo o gerente técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifago), Leonardo Machado, a perspectiva positiva é que as tarifas impostas podem abrir novos mercados internacionais para Goiás.

Com a guerra comercial, a China e o México, grandes compradores de commodities agrícolas dos Estados Unidos, devem buscar alternativas, o que pode beneficiar Goiás. No entanto, de acordo com levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Brasil, 19 produtos do setor agropecuário estão em risco devido às novas tarifas impostas por Trump. “Podemos ter aumentos em mercados tradicionais, como a China. A China é um importante comprador americano de commodities agrícolas, como soja, a própria carne, eles compram carne americana também. Milhas já compraram, apesar de ter saído do mercado nesse momento. Então pode abrir essa possibilidade”, detalhou Leonardo.
Além disso, outros países que são compradores clássicos dos americanos, como o caso do México que é vizinho dos Estados Unidos e compra grande quantidade de milho e soja dos americanos.

Ainda segundo Leonardo Machado, esses produtos são difíceis de serem substituídos por outros mercados, e a maior preocupação recai sobre o suco de laranja, que pode ser severamente impactado pela tarifação: “A gente destaca o café, que é um produto, apesar de não ser goiano, é um produto brasileiro de alta compra americana. O suco de laranja e alguns produtos da carne bovina e do cebo bovino, que são produtos da Pecuária e de corte. E produtos florestais, como madeira. Esses produtos também vão ter grande participação. O principal é o que a gente chama de críticos”.

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos foi anunciado por Donald Trump e batizado de ‘Dia da Libertação’ americana. A medida marca o início de uma série de novas taxas de importação, com o detalhamento das chamadas "tarifas recíprocas" – um conjunto de tarifas contra mais de 180 países.