Com aumento nos preços, consertar roupas virou alternativa popular para economizar no vestuário

Goianésia - Com os preços em alta, muita gente está buscando maneiras de gastar menos — e uma dessas alternativas tem sido deixar de lado as peças novas e apostar no conserto das roupas que já têm no guarda-roupa. Em Goianésia, as oficinas de costura estão mais movimentadas do que nunca, e costureiras da cidade relatam que a demanda praticamente dobrou nos últimos meses.

Carla Rosa é uma das clientes que encontrou no reaproveitamento uma forma de manter o estilo sem pesar no orçamento. Para ela, ajustar ou reformar uma peça virou rotina. “Eu acho que toda semana estou na senhorinha aqui que ajusta as roupas pra mim. Dora Nena, me atende, por favor, que eu preciso ajustar uma roupa. Então a gente pega, ajusta, pega aquela calça da mãe que a mãe não está usando mais e aperta. E assim a gente vai fazendo”, conta.

Dona Jacira Moreira, de 75 anos, trabalha com costura desde 1987 e é uma das veteranas da cidade. Sempre atenta ao movimento no ateliê, ela confirma o aumento da clientela: “Uns 10 consertos eu faço por dia. Se aparecer, eu faço”, resume com simplicidade e eficiência.

A inflação tem impactado até mesmo o setor de vestuário, e o comportamento do consumidor mudou. Muitos agora compram roupas em liquidação, mesmo que em tamanhos maiores, e depois recorrem à costura para ajustes. É o caso de Nilson Costa, proprietário de uma oficina de roupas, que teve que adaptar sua rotina para dar conta da demanda: “Eu comecei a implantar um novo sistema de fazer na hora. Antes a gente deixava, a pessoa buscava na semana, e às vezes demorava um pouco. Agora eu tento fazer na hora pra agilizar o serviço, melhorar o atendimento”.

Segundo levantamento recente, a procura por consertos e ajustes de roupas cresceu cerca de 50% em Goianésia no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A tendência mostra que, quando o bolso aperta, criatividade e reaproveitamento se tornam aliados poderosos.