Aumento nos preços força pesquisa por promoções e parcela nas compras

Goianésia - O reajuste anual dos medicamentos, que entrou em vigor em 31 de março de 2025, tem gerado um grande impacto no bolso dos consumidores de Goianésia. Embora a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) tenha estabelecido um teto de 3,83% para o aumento, as farmácias podem aplicar descontos adicionais, e os preços variam de acordo com a decisão de cada estabelecimento. Esse cenário tem levado os moradores da cidade a buscar promoções e descontos para aliviar o aumento no custo dos remédios.

José Araújo, morador da cidade e usuário de seis medicamentos diários, compartilhou sua preocupação com os novos preços: “No desconto que eu tinha, teve uma alteração de quase 5%, 4,5% mais ou menos. Sempre aperta, porque somos assalariados e aposentados, e sempre há um aperto no bolso”, explica. A comparação de preços entre farmácias se tornou uma medida essencial para quem depende de medicamentos contínuos.

A também goianesiense Ana Isabel enfrenta dificuldades semelhantes ao comprar medicamentos para sua mãe, que necessita de tratamentos diários. Com o aumento dos preços, Ana optou por parcelar as compras no cartão de crédito: “Pesa no orçamento todo mês, né? Sempre parcelo. E a gente precisa, não tem como ficar sem”.

A CMED estabeleceu faixas de reajuste diferenciadas de acordo com a categoria dos medicamentos. Os medicamentos de nível 1, como antidepressivos, antibióticos e analgésicos, sofreram aumento de até 5,6%. Já os medicamentos de nível 2, como antigripais, aumentaram 3,83%, enquanto os de nível 3, como insulina e anti-inflamatórios, tiveram aumento de cerca de 2,60%.

João Aguiar, presidente da Sicofarma Goiás, orienta os consumidores a pesquisarem os preços e a negociaram descontos, especialmente para compras à vista: “Quando o aumento da indústria sobe, a distribuição sobe, e o varejo também. Porém, se pesquisar, pode ser que você encontre um produto com preço ainda sem o reajuste. Dentro da própria indústria, há uma redução de valor. Se eles conseguirem fabricar a um preço menor, vão manter um preço mais baixo. Portanto, é importante buscar por concorrência dentro da própria indústria”, explica.

Embora o reajuste seja determinado pelos fabricantes e distribuidores, respeitando o teto estipulado, as estratégias comerciais adotadas pelas farmácias também podem influenciar o preço final. Em 2024, por exemplo, alguns medicamentos de nível 1 receberam descontos de até 60%, mas isso pode ou não ser repassado ao consumidor final. A lista de preços máximos permitidos está disponível no site da Anvisa, onde os consumidores podem denunciar práticas de preços abusivos.