Goianésia - O preço do leite registrou alta expressiva no início de 2025, afetando diretamente tanto produtores quanto consumidores em Goianésia e região. Segundo dados do Cepea (Esalq/USP), o valor médio pago ao produtor em janeiro foi de R$ 2,64 por litro, o que representa um aumento de 2,5% em relação a dezembro e de quase 19% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O analista de mercado Samuel Oliveira explica que essa elevação de preços é reflexo de um conjunto de fatores que envolvem o cenário global e nacional: “Realmente você tem um preço elevado tanto ao produtor quanto ao consumidor final. Há uma redução mundial na produção de leite, que gerou menor oferta e aumento dos preços internacionais. Além disso, tivemos uma questão climática no Brasil que comprometeu a produção de alimento para os animais, dificultando a produção local”.
Essa combinação — baixa oferta global, custos de produção em alta e condições climáticas desfavoráveis — gerou um efeito cascata que já chegou ao mercado varejista. Em fevereiro, o leite UHT teve aumento de 1,93%, alcançando o valor médio de R$ 4,35 por litro. Já o quilo da muçarela subiu para R$ 33,20, com alta de 0,33%.
Impacto direto no consumo doméstico
O reflexo mais visível está no bolso do consumidor. Muitos moradores de Goianésia têm precisado adaptar hábitos alimentares para lidar com os novos preços. É o caso de Marta Oliveira, que relata mudanças no consumo familiar: “A nossa estratégia dentro de casa… Se você usava uma boa quantidade, hoje tem que reduzir. Não é mais aquela quantidade de antes”, detalhou Marta.
Segundo especialistas, a demanda por leite e derivados permanece estável, mas a oferta limitada tem pressionado os preços. Além disso, custos com insumos, ração e transporte continuam em alta, o que mantém a margem de lucro dos produtores apertada, mesmo com o reajuste.
Perspectivas para os próximos meses
O cenário ainda deve seguir difícil nos próximos meses. Enquanto a produção não se recupera e os custos seguem elevados, tanto produtores quanto consumidores devem continuar sentindo os efeitos no orçamento.
A expectativa do setor é que, com a melhoria das condições climáticas e o ajuste na oferta, os preços possam se estabilizar. Até lá, o leite — item essencial da cesta básica — seguirá como um dos principais vilões da inflação doméstica.




