Levantamento revela que mais de 70% dos brasileiros não conseguem arcar com alimentação adequada; inflação dos alimentos essenciais pressiona famílias

Goianésia - Em abril de 2025, o valor da cesta básica ideal atingiu R$ 432 por pessoa, de acordo com um levantamento do Instituto Pacto Contra a Fome. O valor representa 21,4% da renda média per capita do país, hoje em pouco mais de dois mil reais, segundo dados do IBGE. Para quem recebe um salário mínimo, o impacto é ainda maior: é necessário trabalhar pelo menos 13 dias no mês apenas para cobrir o custo da alimentação básica.

A realidade nas prateleiras dos supermercados reflete essa pressão. A dona de casa Ana Rosa, residente em Goianésia, conta que fazer compras se tornou um exercício de frustração: “Porque a gente sai para comprar cinco coisas e leva uma só. E cada dia os preços são diferentes, então você não tem noção do que vai poder levar”.

O cenário é alarmante: mais de 70% da população brasileira não dispõe de renda suficiente para garantir uma alimentação adequada somada a outras despesas essenciais. Pior ainda, mais de 21,7 milhões de pessoas – cerca de 10% da população – vivem com menos do que o necessário para bancar a cesta básica mensal.

Segundo o economista Fernando Duarte, embora alguns produtos tenham apresentado recuo nos preços, como o feijão, isso não foi suficiente para conter a escalada inflacionária dos alimentos em geral.
“Nem todos os produtos aumentaram em 12 meses. Por exemplo, o feijão apresenta uma queda substantiva, mas ele não é capaz de compensar as altas dos demais itens. É preciso acompanhar com atenção, pois é muito complicado prever se essa alta será contida nos próximos meses”, explicou.

O grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 0,82% em abril. Entre os vilões do mês estão a batata (com aumento superior a 18%), o tomate (14%) e o café moído (quase 4,5%). Apesar da queda no preço do arroz e do feijão preto, a inflação segue concentrada justamente nos alimentos in natura – aqueles que mais sofrem com o impacto do clima e da sazonalidade.

Com o poder de compra cada vez mais corroído, milhões de brasileiros seguem enfrentando o desafio diário de garantir comida no prato. E, diante de um cenário econômico instável, a expectativa por medidas de contenção e apoio às famílias em vulnerabilidade cresce a cada mês.