Goianésia- O número de famílias endividadas no Brasil continua a crescer, e a situação preocupa especialistas. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 78,5% das famílias estavam endividadas em abril de 2024. Esse aumento é o segundo consecutivo, e a principal causa apontada é a maior procura por crédito, especialmente diante do alto custo de vida que impacta o orçamento das famílias brasileiras.
O goianesiense Matheus Vidal, que está desempregado, sente na pele o peso dessa realidade. “As ofertas são muito tentadoras, com produtos abaixo do preço normal. Mas infelizmente, não dá para aproveitar, pois estou desempregado e preciso dar prioridade para as contas que estão pendentes e outras emergências”, explica. A pressão de manter as contas em dia se torna cada vez mais difícil, principalmente com o aumento das despesas diárias e as dificuldades no mercado de trabalho.
Embora o percentual de famílias endividadas tenha subido, a taxa de inadimplência permaneceu estável em 28,6%. No entanto, a situação é mais grave do que parece: 12,1% das famílias afirmam que não têm condições de quitar suas dívidas em atraso, o que representa um aumento em relação aos meses anteriores. Esse dado revela que, apesar de muitas pessoas conseguirem manter o pagamento das parcelas em dia, uma parte significativa da população enfrenta dificuldades maiores para honrar seus compromissos financeiros.
O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo aumento do endividamento no Brasil. Ele está presente em 86,9% dos casos de famílias endividadas. O consumidor David Oliveira, por exemplo, tem se tornado mais cauteloso ao usar o cartão. “Tenho um cuidado extremo com o cartão de crédito para não perder o controle. A maior parte do meu poder de compras vem dele. Se não houver cuidado e atenção, o que deveria ser uma ajuda acaba virando um problema e pode prejudicar ainda mais a situação financeira”, alerta.
Especialistas afirmam que o cartão de crédito, se não for usado com responsabilidade, pode gerar um ciclo de endividamento difícil de interromper. Com taxas de juros elevadas, os consumidores acabam acumulando dívidas que se tornam ainda mais pesadas ao longo do tempo.




