Preço elevado do grão impacta o consumo, especialmente entre famílias de baixa renda

Goianésia - O café, uma das bebidas mais tradicionais do Brasil, tem deixado de fazer parte da rotina diária de muitos consumidores. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o consumo da bebida registrou queda de aproximadamente 3% no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024.

A redução está ligada principalmente ao aumento dos preços, impulsionado por uma combinação de fatores climáticos, alta nas exportações e elevação nos custos de produção. O economista André Valencia explica: “É o conjunto dessas variáveis que levou o preço do café para esse patamar. O primeiro ponto a ser destacado é o impacto climático na produção do Vietnã e da Indonésia, o segundo e quinto maiores produtores mundiais. A menor oferta global fez o mercado disparar”.

As famílias de menor renda foram as mais afetadas, buscando marcas mais acessíveis ou reduzindo o volume consumido.

“Os nossos insumos fertilizantes, defensivos são em grande parte importados e cotados em dólar. O câmbio elevado encarece a produção e se reflete nos preços finais ao consumidor”, acrescenta Valencia.

Apesar da retração, o café ainda está presente na maioria dos lares brasileiros, embora de forma mais contida. A expectativa da ABIC e dos produtores é de que, com a chegada da nova safra e uma possível estabilização dos preços, o consumo volte a crescer gradualmente ao longo do ano.