Endividamento eleva níveis de estresse e afeta qualidade de vida das famílias brasileiras

Goianésia - As dívidas têm se tornado um dos maiores desafios enfrentados pelas famílias brasileiras nos últimos anos, e seus efeitos vão muito além da esfera financeira. Um estudo realizado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) revela que 8 em cada 10 famílias estão endividadas, com mais da metade delas enfrentando dificuldades para manter as contas em dia. Essa situação não só compromete o bolso, mas também tem reflexos profundos na saúde emocional e no bem-estar da população.

De acordo com o economista Cássio Silva, a situação financeira das famílias impacta diversas áreas da vida, especialmente a saúde mental: "A renda afeta diretamente a vida familiar e leva a uma série de problemas psicológicos, como insônia e ansiedade. Quando as pessoas não conseguem pagar contas básicas, como água ou energia, isso gera um grande estresse e afeta a qualidade de vida”.

Além dos distúrbios no sono, especialistas afirmam que o acúmulo de dívidas pode aumentar significativamente os níveis de ansiedade, depressão e até provocar conflitos dentro de casa. A pesquisa da CNC também aponta que 62% das pessoas endividadas sentem medo e vergonha de sua situação, o que afeta sua autoestima e, muitas vezes, sua produtividade no trabalho.

"A pressão financeira afeta o emocional de forma muito forte. Quando você não consegue pagar nem o básico, como contas de água e luz, o estresse toma conta. Isso interfere no humor, no relacionamento com a família e até na saúde física, pois a pessoa acaba somatizando toda essa angústia. Além disso, a sensação de impotência diante das dívidas também gera frustração, especialmente em tempos de inflação alta”, explica o economista.

A preocupação constante com as contas é realidade para Wesley Moreira, um consumidor que vive esse dilema no dia a dia: "Hoje em dia, nós queríamos conseguir criar nossos filhos tranquilamente. Mas agora, está tão difícil manter a casa, e cada dia as coisas ficam mais caras. A inflação está subindo tanto que eu fico me perguntando onde vamos parar com esse aumento. Nem o básico consigo manter direito hoje em dia, e mal consigo comprar as coisas para os meus filhos”.

Para muitas famílias, a boa notícia é que sair desse ciclo é possível. Consultores financeiros recomendam que o primeiro passo seja buscar ajuda especializada, negociar as dívidas, priorizar aquelas com juros mais altos e revisar os hábitos de consumo. Segundo os especialistas, organizar as finanças é essencial não apenas para a saúde financeira, mas também para a preservação da saúde mental: "Organizar as finanças não é apenas uma questão econômica. É também uma questão de saúde mental e qualidade de vida. O primeiro passo é buscar orientação, negociar as dívidas e planejar os gastos de maneira mais racional. A priorização das dívidas mais urgentes é essencial para dar início à recuperação financeira”.