A evolução da pecuária goianesiense é o reflexo dos investimentos que os pecuaristas da região estão realizando em diferentes áreas do trabalho

Goianésia - Goianésia tem se consolidado como um dos polos mais promissores na produção de gado de corte em Goiás. O município, com um clima favorável, tradição no campo e uma crescente capacitação dos produtores, tem se destacado por investimentos em genética, nutrição e manejo. O zootecnista e produtor Bruno Bermudez, que atua diretamente nesse setor, explica os principais critérios utilizados na escolha da genética do rebanho para garantir animais de qualidade superior.

“Primeiramente, as características morfológicas são fundamentais. Estamos sempre atentos ao arqueamento de costela, à espessura e inserção de aprumos fortes, a um dorso retilíneo e largo, e à profundidade do animal. O ideal é um animal que tenha uma boca larga e forte, com um bom potencial de ganho de peso. A precocidade, tanto no ganho de peso quanto na reprodução, é algo que todos os produtores buscam. Quanto mais precoce o animal, maior a produtividade, desde que ele atinja o peso ideal e a fertilidade em uma fase mais jovem”, explica Bermudez.

O município tem se destacado na produção de carne bovina com animais mais pesados e precoces, o que é altamente valorizado pelo mercado. Para alcançar essa qualidade, é fundamental que os pecuaristas mantenham o rebanho saudável e livre de doenças. Bermudez enfatiza que os cuidados sanitários são essenciais para evitar prejuízos. “A maioria das atividades reprodutivas é feita com touros de monta natural, mas também há um crescimento no uso de inseminação artificial e outras alternativas reprodutivas. É importante realizar exames de saúde dos touros, como o exame andrológico, para avaliar a viabilidade reprodutiva e a presença de doenças que possam afetar a reprodução. A brucelose, por exemplo, exige um acompanhamento constante, assim como a vermifugação e o combate a ectoparasitas, como as moscas”, alerta.

Além do investimento em genética, a região tem investido em manejo intensivo e sistemas de confinamento, que vêm ganhando cada vez mais espaço. Esse modelo tem permitido a terminação de bois jovens com carcaças entre 20 e 21 arrobas, o padrão exigido pelos frigoríficos de excelência. A estrutura rural de Goianésia, combinada com o uso de tecnologia e boas práticas de manejo, tem garantido mais eficiência na produção.

Sobre alimentação e manejo nutricional, o zootecnista explica como a sazonalidade do clima influencia a dieta dos animais: “Na região Centro-Oeste, temos um ciclo bem definido de seis meses de seca e seis meses de chuva. Durante a época das chuvas, a forragem cresce rapidamente, e a oferta de capim é abundante. Nessa época, os animais têm uma condição ambiental mais favorável, e é possível suplementá-los com minerais de boa qualidade, que são essenciais para o crescimento e bem-estar do rebanho. Já durante a seca, a oferta de pasto diminui, e os pecuaristas costumam suplementar com proteinado de baixo consumo, como o sal ureado, para manter a saúde do rebanho”.

O zootecnista explica as necessidades nutricionais de diferentes categorias de animais: “Os bezerros recém-desmamados têm uma demanda mineral e proteica muito maior, pois estão em fase de crescimento acelerado e formação óssea. A vaca, por sua vez, também tem uma demanda específica, principalmente durante a gestação e amamentação, já que precisa se manter saudável e alimentar seu bezerro.”

A sustentabilidade também tem se tornado um ponto de destaque na pecuária de Goianésia. Muitos produtores já adotam práticas de bem-estar animal, recuperação de pastagens e integração entre lavoura e pecuária, o que contribui para a preservação ambiental e para a qualidade do produto final. Essas práticas não só favorecem a sustentabilidade da atividade, mas também agregam valor à carne produzida, que tem se destacado pela sua excelência no mercado.