Goianésia - A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) apresentou ao Fórum Empresarial do Brics a proposta de criação de uma Bolsa Digital de Commodities, voltada à modernização do comércio internacional e à ampliação do acesso de produtores locais aos mercados globais. A iniciativa busca reduzir custos operacionais, eliminar intermediários e utilizar tecnologias como registro digital, tokenização de ativos e moedas locais para facilitar as transações.
Idealizada pelo analista de Comércio Exterior da Fieg, Carlos Stuart, a proposta segue modelos já utilizados por parceiros comerciais e visa descentralizar um mercado historicamente concentrado em grandes bolsas sediadas em países desenvolvidos. A nova plataforma permitiria que cooperativas, associações e pequenos produtores transformassem seus produtos em tokens e vendessem diretamente aos compradores internacionais.
Segundo Stuart, a medida pode aumentar a participação dos produtores na formação de preços, reduzir burocracias e dar mais segurança às negociações. Goiás, com forte presença no agronegócio e vocação exportadora, seria um dos estados mais beneficiados com a proposta, que também promove maior transparência e inclusão no mercado de commodities.
Outro ponto central é a redução da dependência do dólar nas transações entre os países do Brics. A proposta prevê o uso de moedas locais e mecanismos alternativos de pagamento, o que, segundo Stuart, pode diminuir os custos ocultos das negociações internacionais e dar maior autonomia econômica aos países membros. O tema ganha força após recentes tensões comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos.
A proposta foi oficialmente incluída no relatório final dos Grupos de Trabalho de Agronegócio e Comércio e Investimentos do Brics, reforçando seu potencial para influenciar as próximas diretrizes de cooperação econômica do bloco. A inclusão no documento representa um reconhecimento da relevância e da viabilidade técnica da iniciativa.




