Nova taxação do governo norte-americano entra em vigor em agosto, afetando o segundo maior mercado da carne goiana

Goianésia - A indústria de carnes em Goiás deve suspender a produção destinada aos Estados Unidos a partir de agosto, como resposta à nova taxação imposta pelo governo norte-americano. A informação foi confirmada por Leandro Stival, presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados (Sindicarne). A medida segue uma tendência observada em outras regiões do país.

A taxação, que entra em vigor no dia 1º de agosto, eleva em 50% os impostos sobre a carne brasileira, tornando inviável a manutenção das exportações para os Estados Unidos, que é o segundo maior destino da carne goiana, atrás apenas da China.

“Temos produtos em estoque, no trânsito e até em navios, a caminho dos Estados Unidos. Se esses produtos chegarem com a nova tarifa, será impossível para os nossos parceiros comerciais absorverem o aumento, ou para as empresas pagarem essa diferença”, explicou Stival, alertando para o impacto negativo da medida.

Ele ressalta que a adaptação ao novo cenário demandará tempo, já que a busca por novos mercados é um processo complexo. Além de revisar contratos e verificar se os cortes exportados para os Estados Unidos possuem demanda em outros países, os frigoríficos precisam garantir que estão habilitados para exportar para esses destinos.

“Algumas indústrias são habilitadas para a Europa, outras para a China, e o mercado chinês não tem demonstrado grande apetite por carne brasileira desde o final do ano passado. Isso impacta ainda mais, já que os Estados Unidos eram um parceiro importante para a carne de dianteiro e recortes, que são usados para processados”, acrescentou.

Entre janeiro e julho deste ano, Goiás exportou mais de 200 mil toneladas de carne para os Estados Unidos, de acordo com estimativas do Sindicarne.