Goianésia- Pesquisas nacionais e internacionais já indicam que o aquecimento global e a crise climática estão impactando a produção agrícola. No Brasil, culturas essenciais como arroz e feijão enfrentam secas mais intensas, temperaturas elevadas e a escassez de água. Projeções apontam que a redução da resiliência das plantas, a queda na produtividade, o aumento de pragas, a degradação dos solos e o risco de perdas significativas nas colheitas são impactos reais e já visíveis.
Paulo André, agrônomo atuante no setor agrícola, alerta que 2025 será um ano particularmente desafiador para a produção de alimentos. “Haverá uma tendência de redução das chuvas no Centro-Oeste do Brasil. O Brasil central e a Amazônia se tornarão cada vez mais secos, assim como outras regiões, como o Mediterrâneo europeu, a África do Sul, a América Central e o interior dos Estados Unidos”, afirma.
De acordo com um estudo da Embrapa, baseado em cenários futuros, estima-se que até 2070 o Brasil poderá perder até 40% da sua produção de soja, com prejuízos que podem alcançar R$ 7,6 bilhões. Outras culturas importantes também estão ameaçadas, como o café, com uma redução de 33% em áreas de baixo risco, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. Milho, arroz, feijão e girassol também apresentam queda significativa no potencial produtivo, especialmente no Nordeste.
Paulo André destaca que as migrações em massa e decisões estratégicas futuras podem modificar esse cenário. “A questão das fontes de emissões precisa ser enfrentada. Devemos reduzir as emissões de gases de efeito estufa, tanto na queima de combustíveis fósseis quanto no desmatamento de florestas tropicais. Esses são os dois maiores fatores que explicam a situação atual”, explica.
O impacto das mudanças climáticas na agricultura brasileira serve como um alerta claro: será essencial adotar práticas mais sustentáveis, como agroflorestas, sistemas agrossilvipastoris, irrigação eficiente e o desenvolvimento de cultivares resistentes. Caso contrário, a agricultura brasileira, hoje referência global, pode se tornar vítima das mudanças climáticas.



