Alta no varejo não se reflete no valor recebido pelo produtor rural

Goianésia - O mercado de derivados do leite em Goiás iniciou 2026 com elevação de preços no varejo. A cesta láctea apresentou alta de 1,15%, conforme levantamento da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, realizado em parceria com o Instituto de Monitoramento e Boletim de Mercado (IMB). O movimento foi impulsionado principalmente pelo creme de leite a granel, que registrou aumento de 9,16%, e pelo leite UHT integral, com valorização de 2,71% em relação a dezembro de 2025.

Segundo o gerente de cadeias produtivas da Seapa Goiás, André Lousa, o comportamento do mercado está associado a uma combinação de fatores, como a redução das importações e a retomada do consumo neste início de ano. “Com o fim das férias e o retorno das aulas, há um crescimento na demanda, e as indústrias começam a se preparar para o período de entressafra. Os derivados tendem a sofrer reajustes e, para o produtor, existe uma expectativa de melhora, que pode se refletir nos preços ao consumidor”, avalia.

Mesmo com a elevação observada no varejo, a realidade no campo segue marcada por dificuldades. Em 2025, o valor pago ao produtor pelo litro do leite apresentou queda ao longo de oito a nove meses consecutivos, acumulando retração superior a 23%, de acordo com dados da Seapa. Em determinados períodos, a remuneração média chegou a ficar abaixo de R$ 2,00 por litro, patamar considerado insuficiente para cobrir os custos da atividade.

Em Goianésia, o impacto dos reajustes já é percebido por comerciantes que dependem do leite como insumo. Luciano Oliveira, que atua na produção de salgados, relata a dificuldade de absorver os aumentos sem repassar parte do custo ao consumidor. “A gente segura o quanto consegue, mas chega um momento em que não tem alternativa e o reajuste precisa ser repassado”, afirma.

Produtores alertam que os preços praticados atualmente não cobrem despesas básicas da produção, como alimentação do rebanho e manejo animal. Especialistas do setor avaliam que uma recuperação mais consistente no valor pago ao produtor pode ocorrer a partir do segundo bimestre de 2026, influenciada por fatores climáticos, como a estiagem, e por um processo gradual de reequilíbrio do mercado de derivados lácteos.