Goianésia- O café começou 2026 em queda, mantendo a trajetória observada no segundo semestre do ano passado. A redução está associada a um cenário produtivo mais favorável, com chuvas regulares nas principais regiões produtoras e aumento na oferta mundial da commodity.
Nos mercados futuros, contratos de referência chegaram a ser negociados abaixo de R$ 2.000 por saca no início de fevereiro, segundo a gerente de Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa, Christiane Brandão.
“A bienalidade do café é um fenômeno natural da planta, que alterna anos de alta produção e anos de menor produção, chamada bienalidade negativa. No ano passado, tivemos esse cenário, mas para 2026 a expectativa é de uma bienalidade positiva, que deve aumentar a produtividade e resultar em uma safra mais favorável. Goiás destaca-se nesse processo, com a melhor produtividade do país, reflexo de investimentos em tecnologia, manejo sustentável e boas práticas agrícolas. Isso tem ampliado a participação do estado na produção brasileira de café”, afirma a gerente.
Apesar do recuo nas cotações, o consumidor ainda não percebe redução expressiva no varejo. O café moído acumulou altas ao longo de 2025, refletindo a pressão inflacionária registrada no período. Mesmo com a produção em recuperação, a demanda firme e os estoques ajustados mantêm os preços elevados nas prateleiras.
Em Goianésia, o empresário José Roberto, dono de uma padaria, afirma que o café é um dos produtos mais consumidos diariamente e que os reajustes impactam diretamente os custos do negócio. “Quando os preços começaram a subir, a diferença foi de quase R$ 15 por pacote de 1 kg. Agora, tentamos segurar, mas, se não der certo, teremos que repassar para o consumidor. A realidade é que não conseguimos absorver todo o aumento”, relata.
Produtores, comerciantes e consumidores seguem atentos às variações do café. O cenário climático e a oferta internacional indicam possível estabilidade, mas as oscilações nas bolsas de mercadorias continuam influenciando o preço final da bebida.




