Goianésia- A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender parte do chamado “tarifaço”, implementado durante o governo de Donald Trump, altera o ambiente do comércio internacional e reduz pressões sobre mercados considerados estratégicos para o Brasil. Em Goiás, a avaliação de analistas é de que o impacto tende a ser positivo, especialmente para setores com forte presença nas exportações.
O economista Márcio Dourado aponta que segmentos como o de minérios e o sucroenergético estavam entre os mais afetados pelas sobretaxas, que chegaram a 50% em 2025, reduzindo a competitividade e comprimindo as margens de negociação.
Segundo ele, a decisão da Corte teve como base a análise da legalidade dos instrumentos utilizados pelo governo norte-americano para impor as tarifas. “A Suprema Corte entendeu que o mecanismo adotado extrapolava os limites previstos na legislação. Com isso, parte dos produtos brasileiros atingidos pelas sobretaxas foi beneficiada”, afirma.
O economista ressalta, no entanto, que a legislação comercial dos Estados Unidos prevê outros dispositivos que permitem a aplicação de tarifas. Entre eles estão a Seção 232, que segue em vigor para determinados produtos, como o aço, e a Seção 301, que exige investigação prévia para embasar eventuais medidas. “Esses instrumentos continuam disponíveis, mas demandam fundamentação mais detalhada e, em alguns casos, aprovação do Congresso, o que reduz a agilidade na adoção de novas medidas”, explica.
Apesar da sinalização considerada favorável, os efeitos práticos não devem ser imediatos. De acordo com Dourado, impactos mais consistentes tendem a aparecer no segundo semestre, à medida que contratos internacionais forem renegociados e a produção se ajustar ao novo ambiente regulatório.
Em reação à decisão judicial, Donald Trump anunciou a aplicação de uma nova sobretaxa de 15% sobre a maior parte das importações, com base na Seção 122 da Lei Comercial de 1974. O dispositivo autoriza o Executivo a adotar tarifas emergenciais por até 150 dias, sem necessidade de aval imediato do Congresso, sob a justificativa de proteger o equilíbrio das contas externas. As novas tarifas entram em vigor nesta terça-feira e podem permanecer válidas por até cinco meses.
Para especialistas, o cenário aponta para redução da imprevisibilidade no curto prazo, mas ainda exige cautela dos exportadores, diante da possibilidade de novas medidas dentro dos mecanismos previstos na legislação norte-americana.




