Goianésia - O custo de vida segue avançando e comprometendo o orçamento das famílias brasileiras. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese, aponta que a inflação mantém pressão significativa sobre os gastos básicos do trabalhador.
Fevereiro registrou o maior índice para o mês desde 1994. Na prática, após a compra da cesta básica e o pagamento de despesas fixas, como aluguel, água, energia e internet, restam apenas R$ 74 do salário mínimo.
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indica que a alta disseminada dos preços pode reduzir ainda mais esse valor nos próximos meses. A economista Angela Maria explica que o cenário apresenta variações regionais e destaca o peso dos alimentos no orçamento.
“Desde a implantação da pesquisa, em 1994, observamos oscilações importantes. Goiás, por exemplo, em alguns períodos do ano figura entre as posições mais caras do ranking. O café acumulou alta de 113,98%, o óleo de soja subiu 31,93% e a carne bovina registrou aumento de 24,84%. Esses três produtos têm peso significativo na cesta básica dos trabalhadores assalariados. Por isso, trabalhamos com a perspectiva de continuidade na alta dos preços dos alimentos”, afirma.
Alta disseminada
Os dados mostram que a inflação não está concentrada em um único segmento. Segundo o levantamento, 78% dos itens pesquisados apresentaram aumento em 2026, o maior percentual para fevereiro desde 2003.
Alimentos, serviços e bens industriais registraram elevação de preços. Em São Paulo, por exemplo, o consumidor desembolsa no mínimo R$ 735,94 apenas com os produtos da cesta básica.
Quando entram no cálculo outras despesas mensais e tributos, como a contribuição ao INSS, o orçamento se torna ainda mais restrito. A dona de casa goianesiense Ana Paula Rocha relata as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
“Está bem salgado. Antes a gente conseguia fazer uma compra mais completa. Hoje, o supermercado pesa muito no orçamento”, afirma.
Salário ideal
Diante desse cenário, o Dieese calcula que uma família formada por dois adultos e duas crianças precisaria receber R$ 7.106,83 para suprir as necessidades básicas.
O valor corresponde a 5,58 vezes o salário mínimo atual, fixado em R$ 1.621,00, evidenciando a distância entre a renda oficial e o custo real de vida no país.




