Goianésia- Supermercados em Goiás podem deixar de funcionar aos domingos a partir de abril, dependendo da conclusão de um acordo coletivo entre trabalhadores e empresários do setor. A proposta tem gerado debate entre consumidores, que apresentam opiniões divergentes sobre os impactos do fechamento.
A dona de casa goianesiense Ana Paula de Oliveira acredita que manter os supermercados abertos aos domingos é fundamental, já que muitas pessoas aproveitam esse dia para organizar as compras da semana. “O pessoal que trabalha durante a semana tem o domingo para fazer as compras, então acho importante que os supermercados fiquem abertos nesse dia”, comenta.
Por outro lado, o aposentado Alaor Moreira vê a proposta como positiva, ao defender a folga dos funcionários. “Eu acho bobagem abrir aos domingos. Os funcionários devem descansar. O que a gente compra? Já compra no sábado ou durante a semana”, afirma.
Pauta das negociações
Entre os pontos discutidos estão a obrigatoriedade de folga aos domingos para os trabalhadores e a redução da jornada semanal de 40 para 36 horas. A escala diária seria ajustada de oito para seis horas de trabalho, mantendo o modelo seis por um.
Segundo Alessandro Jean Pereira de Faria, representante do Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de Goiás (Secom-GO) e do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga-GO), não é possível antecipar o posicionamento dos cerca de 17 mil estabelecimentos associados, mas, de forma extraoficial, grande parte dos empresários se manifesta contrária à proposta.
“O feedback que temos das empresas é que elas não querem fechar aos domingos. O consumidor goiano já se acostumou a comprar nesse dia, e isso impacta diretamente as vendas. Nosso alvo é o consumidor, sem desmerecer a classe laboral”, explica.
Impactos para trabalhadores
O procurador jurídico do Secom-GO, José Nilton Carvalho, afirma que a obrigatoriedade de folga aos domingos e a redução da jornada semanal podem atingir cerca de 45 mil trabalhadores em todo o estado.
“Abrir aos domingos não tem gerado lucro, apenas aumento nos custos operacionais. A falta de repouso semanal torna difícil atrair novos profissionais, principalmente da geração Z. Atualmente, temos cerca de seis mil vagas abertas em supermercados, açougues e padarias”, detalha.
Atualmente, os funcionários cumprem a escala seis por um, com oito horas diárias e uma folga semanal em dias alternados. A proposta prevê a manutenção da escala, mas reduz a jornada diária para seis horas de trabalho.
As negociações seguem ao longo do mês de março, e a definição sobre o funcionamento aos domingos deve valer a partir de 1º de abril, data-base da categoria.




