Goianésia- Produtores rurais em Goiás enfrentam aumento nos custos e dificuldades de escoamento da safra, cenário agravado pela baixa capacidade de armazenamento no estado, reflexo de uma tendência nacional. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o país consegue armazenar apenas 61,7% da produção, o que impede que os produtores aguardem melhores preços e intensifica a pressão no período de escoamento, quando os valores caem e o frete sobe devido à alta demanda.
O contexto se complica com a influência do mercado internacional e a elevação no preço do diesel, impactando diretamente o custo da produção.
Segundo Vilmar Júnior, analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás, o estado possui capacidade de armazenagem próxima de 50%. Ele ressalta que, apesar da limitação, parte dos impactos é mitigada pela característica escalonada das safras.
“A recomendação é que um país tenha capacidade de armazenar pelo menos 20% a mais da sua safra. Aqui em Goiás, assim como no Brasil, nossas safras são escalonadas. Por exemplo, entre março e abril, estamos terminando a safra de soja e, três meses depois, iniciamos a armazenagem da segunda safra, com milho, sorgo e outros grãos. Esse escalonamento ajuda a reduzir os gargalos, mas ainda existem limitações que podem comprometer algumas operações”, explica.
Vilmar também destaca que o alto custo de construção de estruturas de armazenagem continua sendo o principal obstáculo para os produtores, limitando investimentos próprios e aumentando a dependência de soluções externas.
“Construir um armazém é muito caro. Existem políticas de incentivo, mas o financiamento necessário pode comprometer o limite de crédito do produtor. Ele acaba precisando escolher entre investir em armazenagem ou garantir recursos para aquisição de insumos e continuidade da safra. É um equilíbrio delicado”, afirma.
Levantamento da CNA indica que 63% dos produtores rurais apontam a elevação dos custos como principal dificuldade, enquanto 35% destacam a necessidade de melhores condições de acesso a crédito para manter a produção.




