Inflação dos itens essenciais pressiona o poder de compra das famílias

Goianésia-Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que o salário mínimo atual não é suficiente para cobrir as necessidades básicas de uma família brasileira. Segundo o estudo, o valor ideal deveria ser cerca de cinco vezes maior que o piso vigente, estimado em R$ 1.621.

O cálculo leva em consideração o custo da cesta básica para uma família de quatro pessoas, além de despesas essenciais como moradia, saúde e transporte. Em Goianésia, a dona de casa Maria Lúcia relata que o orçamento familiar tem se tornado cada vez mais apertado diante da alta dos preços.

“O salário mínimo não dá para a gente sobreviver. Para uma pessoa que mora sozinha e não paga aluguel ou não tem gastos com medicamentos, até daria para se manter. Mas para uma família grande, com despesas maiores, o salário mínimo de hoje não é suficiente, porque as coisas estão muito caras”, afirma.

Para garantir condições mínimas de subsistência, a remuneração mensal deveria chegar a R$ 7.164,94, o equivalente a 5,2 vezes o salário mínimo atual. Segundo o economista do Dieese, Clóvis Scherer, os produtos mais afetados pela inflação são justamente os itens básicos, o que compromete diretamente o poder de compra das famílias.

“O salário mínimo tem recebido reajustes anuais baseados na inflação passada, mas como a inflação atual é maior, ele não consegue acompanhar os preços. Há muitos anos dizemos que os preços sobem pelo elevador enquanto os salários sobem pela escada. Mesmo com a reposição da inflação passada, o aumento é insuficiente. Isso faz com que o padrão de vida das famílias, que depende do salário mínimo, caia, reduzindo o poder de compra e dificultando a aquisição dos produtos essenciais. Hoje, o salário mínimo está muito abaixo do necessário para garantir uma vida digna, como prescreve a Constituição. Para isso, ele deveria ser cerca de cinco vezes maior do que é atualmente”, explica Scherer.

O estudo também aponta o tempo médio de trabalho necessário para custear apenas a cesta básica: 122 horas e 32 minutos por mês. Realizado desde 1994, o levantamento considera, além da alimentação, gastos com educação, saúde, transporte, lazer e previdência, traçando um panorama detalhado das condições de vida da população brasileira.