Goianésia- O aumento expressivo no preço do diesel já começa a refletir no planejamento das lavouras e pode reduzir o plantio da segunda safra em diversas regiões do país. Essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas e para o transporte da produção, o combustível subiu em meio a tensões no Oriente Médio, justamente em um período crítico para a colheita da soja. O excesso de chuvas, somado à necessidade de economizar combustível, tem provocado atrasos na colheita, alerta o gerente técnico do Grupo de Estudos Técnicos da Faeg, Edson Novaes.
“A questão do atraso na colheita, devido às chuvas, somada ao aumento do preço do diesel, prejudica ainda mais o andamento das atividades no campo. Muitos produtores não conseguirão plantar a segunda safra ou optaram por não plantar por conta desses fatores. Alguns estão preferindo manter apenas plantas de cobertura para proteger o solo e aguardar a próxima safra, que se inicia entre setembro e outubro. Além disso, o aumento do combustível também impacta o frete, dificultando o transporte da soja até armazéns e portos”, explica Novaes.
Impactos na cadeia produtiva
Os efeitos da alta do diesel vão além das propriedades rurais e atingem toda a cadeia produtiva. O encarecimento do combustível pressiona o transporte rodoviário, elevando o custo de escoamento de grãos até portos e centros consumidores e afetando diretamente a competitividade do setor.
“Isso influencia toda a cadeia produtiva. Produtos agroindustriais destinados ao atacado e aos supermercados também sofrem, já que grande parte do transporte depende do diesel. Portanto, não é apenas o setor agrícola que é impactado, mas todo o sistema que depende do combustível para logística e distribuição”, afirma Novaes.
Reflexos na economia e nos preços
O aumento dos custos no campo acende um alerta sobre a inflação de alimentos. Com despesas maiores tanto na produção quanto no transporte, a tendência é que parte desses custos seja repassada ao consumidor, pressionando os preços de itens básicos nos próximos meses.




