Alta é impulsionada pela menor oferta e aumento da demanda

Goianésia- O mercado de leite e derivados em Goiás voltou a registrar alta nos preços em março de 2026, após um período prolongado de retração. A recuperação ocorre em meio à redução da oferta nas propriedades rurais e ao aumento da demanda no atacado, cenário que começa a reequilibrar a cadeia produtiva no estado.

De acordo com o gerente de cadeias produtivas da Secretaria de Agricultura, André Lousa, o movimento é resultado de um ajuste natural entre oferta e demanda, embora ainda existam fatores externos que pressionam o setor.

“É uma reação que está acontecendo. A demanda e a oferta estão equiparando e estão equilibrando o mercado. E hoje o maior problema que nós temos como leite no Brasil é a produção, a importação. A importação do leite hoje é um grande problema. Que nós estamos batendo em cima junto com a CNA, com as outras instituições parceiras, é na questão da lei anti-dump, para tentar segurar o comércio que está vindo do exterior, a importação do leite que vem do Uruguai e da Argentina, que afeta muito a nossa cadeia leiteira”, explica.

Derivados puxam alta no mercado

Dados da Secretaria de Agricultura indicam que alguns produtos lácteos apresentaram aumento superior a 7% no fim de março. Entre os principais destaques estão o creme de leite a granel, o leite UHT integral e o queijo muçarela, itens com forte presença no consumo diário e grande demanda no comércio.

A elevação já começa a ser percebida diretamente pelos consumidores, principalmente nas compras de rotina. Em Goianésia, a consumidora Lázara Rosa relata mudanças frequentes nos preços.

“No geral, está tendo uma mudança muito grande. Todas as vezes que a gente vai no mercado, que eu venho no mercado, eu estou vendo a diferença de uma semana para outra. Está muito grande, está muito alto o preço desses derivados”, afirma.

Reação também chega ao campo

No setor produtivo, o cenário também mostra sinais de recuperação. Após nove meses consecutivos de queda, o valor pago ao produtor voltou a subir, impulsionado pela menor captação de leite por parte dos laticínios e pela maior concorrência pela matéria-prima.

Esse movimento tem refletido no chamado “leite spot”, negociado entre indústrias, que passou a registrar valorização nas últimas semanas. A expectativa é de que, com a continuidade desse ajuste entre oferta e demanda, o setor mantenha um ritmo de recuperação gradual nos próximos meses.