Proposta prevê concentração das vendas aos sábados sem prejuízo ao setor

Goianésia- As discussões sobre a abertura de supermercados e hipermercados aos domingos, em Goiás, foram adiadas para o fim deste mês. A decisão ocorreu após negociações entre sindicatos de trabalhadores e representantes do setor empresarial, que aguardam avanços, em Brasília, sobre a proposta que prevê mudanças na escala de trabalho, incluindo o possível fim do modelo 6 por 1.

A expectativa é de que o governo federal encaminhe, nos próximos dias, em regime de urgência, o projeto ao Congresso Nacional. Inicialmente, o Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Goiás (Secom-GO) defendia o fechamento integral dos estabelecimentos aos domingos, além de alterações na jornada de trabalho.

De acordo com o procurador jurídico do sindicato, José Nilton Carvalho, o debate envolve a necessidade de adaptação do setor às novas demandas dos trabalhadores, especialmente das gerações mais jovens, que têm demonstrado menor interesse pelo modelo atual. Segundo ele, o comércio enfrenta dificuldades para preencher vagas em diversas regiões do estado.

“Hoje, temos cerca de 6 mil postos de trabalho abertos. Chegamos a um ponto em que é preciso rever práticas. As empresas não podem insistir em um modelo que não atrai mão de obra. Se queremos contratar, precisamos tornar o setor mais atrativo, principalmente para os jovens”, afirmou.

Sob o ponto de vista econômico, o sindicato avalia que a concentração das vendas aos sábados poderia compensar o fechamento aos domingos. A medida reduziria custos operacionais, como o consumo de energia, além de facilitar a organização de estoques e das escalas de funcionários, sem prejuízos significativos ao atendimento.

“A ideia é reorganizar o funcionamento. O domingo tem baixo movimento em comparação ao sábado, mas mantém custos elevados. Concentrar as vendas pode ser mais eficiente para as empresas e também melhorar as condições de trabalho”, explicou o procurador.

As negociações devem ser retomadas em abril, enquanto o projeto que trata das mudanças na escala de trabalho segue em tramitação e aguarda análise do Congresso Nacional.