Conflitos internacionais e valorização do dólar pressionam preços

Goianésia-O cenário internacional de instabilidade, intensificado pelos conflitos no Oriente Médio, já impacta a cadeia produtiva do trigo no Brasil. Em Goiás e em toda a região Centro-Oeste, o aumento dos custos logísticos, como frete marítimo e seguro internacional, pressiona moinhos e indústrias do setor.

De acordo com o Sindicato dos Moinhos de Trigo da Região Centro-Oeste (Sindtrigo), além da elevação na logística, insumos como fertilizantes, combustível e energia também registram alta. O presidente da entidade, Sérgio Scodro, afirma que o setor busca reduzir os impactos ao consumidor por meio da diversificação de fornecedores e do ganho de eficiência operacional.

“Estamos cientes da responsabilidade em relação aos produtos que derivam da nossa produção. Uma das principais medidas adotadas é o incentivo ao cultivo de trigo no Cerrado, reduzindo a dependência da importação. No entanto, parte dos custos elevados já começa a ser repassada ao consumidor, pois não é possível absorvê-los integralmente”, explica Scodro.

A valorização do petróleo influencia diretamente o preço do diesel, encarecendo o transporte da matéria-prima até os centros consumidores. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o reajuste do PIS/Cofins e a valorização do dólar podem provocar aumento de até 10% no preço da farinha de trigo, com impacto direto em produtos como o pão francês.

Consumidores já sentem os efeitos da alta. A dona de casa Goreth Rosa relata mudanças nos hábitos de compra. “Antes pagávamos cerca de 25 centavos no pão, agora o preço subiu bastante. Por isso, acabamos comprando menos”, afirma.

O economista Ivo Batista explica que, como o Brasil importa cerca de metade do trigo que consome, as oscilações do mercado internacional refletem rapidamente nos preços internos.

“O preço do trigo depende de diversos fatores, como oferta mundial, condições climáticas, volume de plantio e câmbio. Antes da guerra, a saca custava cerca de R$ 800 e agora se aproxima de R$ 1.300. Isso pressiona os preços de produtos derivados, como o pão francês, que pode passar de R$ 15 para R$ 20 o quilo até o final do mês”, detalha.

Em Goiás, cresce o investimento no chamado “Trigo do Cerrado”, alternativa que busca reduzir a dependência das importações. Apesar do avanço da produção regional, especialistas alertam que, no curto prazo, produtos como pão, massas e biscoitos devem registrar novos reajustes, impactando diretamente o orçamento das famílias.