Alta de impostos pode estimular informalidade

Goianésia-O orçamento tem ficado cada vez mais apertado para o consumidor brasileiro. Análises econômicas indicam que a carga tributária alcançou um dos níveis mais elevados dos últimos 20 anos, impactando diretamente o preço dos produtos e reduzindo o poder de compra da população.

O economista Ivo Batista explica que o modelo tributário brasileiro, concentrado no consumo, intensifica esse efeito no dia a dia. “O aumento da carga tributária gera um impacto direto e imediato no cotidiano das pessoas, porque, no sistema brasileiro, os impostos incidem pesadamente sobre o consumo. Quando as alíquotas sobem, as empresas repassam esses custos para os preços finais, o que reduz o poder de compra da população e esfria a economia.”

Segundo ele, o fenômeno pode ser compreendido a partir da chamada curva de Laffer, que aponta limites para a tributação. “Existe um ponto em que, se o governo cobra impostos demais, acaba desestimulando a produção e o investimento. Isso faz com que a arrecadação total caia, já que a atividade econômica encolhe.”

O especialista também destaca que uma carga tributária elevada pode incentivar práticas irregulares. “Além de frear o crescimento, uma carga considerada sufocante aumenta significativamente o risco de sonegação fiscal. Quando o custo de estar em dia com o Estado se torna insustentável, muitas empresas migram para a informalidade como estratégia de sobrevivência.”

Em segmentos como o setor têxtil, os impactos são ainda mais perceptíveis. Empresários relatam dificuldades para investir, expandir operações e gerar empregos, diante da pressão tributária. “Isso cria um desequilíbrio no mercado, pois os negócios que pagam seus tributos corretamente enfrentam uma concorrência desleal de quem atua fora da lei”, afirma.

Para o economista, o cenário pode desencadear um efeito em cadeia. “Em última análise, o excesso de impostos pode gerar um ciclo vicioso, em que o governo arrecada menos, o desemprego aumenta e os preços permanecem elevados, prejudicando o desenvolvimento social e a competitividade econômica do país.”

Com a arrecadação em patamar elevado, o custo de vida segue pressionado, e o mercado de trabalho sente os reflexos da desaceleração. Na prática, o peso dos tributos atinge tanto quem produz quanto o consumidor final.