Alta do petróleo pressiona custos

Goianésia- O setor sucroenergético acompanha com atenção os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, diante dos possíveis reflexos sobre a próxima safra em Goiás. As tensões envolvendo o Irã já impactam o mercado global de energia, especialmente o preço do petróleo, com efeitos diretos sobre os custos ao longo da cadeia produtiva.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol e Açúcar em Goiás (Sifaeg), André Rocha, o aumento nos preços dos combustíveis, dos fertilizantes e da logística já é percebido pelo setor. O diesel, em especial, se destaca como um dos principais componentes de custo.

“Estamos observando um aumento significativo no custo de produção agrícola, tanto pelo diesel quanto pelos fertilizantes. Como a colheita da cana-de-açúcar é altamente mecanizada, o diesel se torna um dos principais custos, tanto na produção de etanol quanto de açúcar”, afirma.

Na produção de cana-de-açúcar, o diesel tem peso relevante na mecanização agrícola e na operação das usinas. O cenário também afeta outras culturas, como milho e sorgo, que integram a cadeia produtiva do etanol.

Em Goiás, a estimativa é de uma safra próxima de 80 milhões de toneladas na próxima temporada. A definição entre maior produção de açúcar ou etanol deve seguir as condições de mercado. Na safra 2025/2026, o açúcar apresentou maior rentabilidade, enquanto o etanol hidratado perdeu competitividade em determinados períodos. Já o etanol anidro registrou crescimento, impulsionado pela demanda e por variações na política de combustíveis.

André Rocha também destacou o impacto dos fertilizantes sobre os custos agrícolas. “O aumento no preço dos fertilizantes afeta fortemente o custeio, tanto das usinas de cana quanto dos produtores de milho, que também abastecem a indústria de etanol de milho”, explica.

A avaliação do setor é de que o cenário permanece incerto. Mesmo com eventual redução das tensões no Oriente Médio, os efeitos sobre os mercados de energia e fertilizantes podem se prolongar no médio e no longo prazo. Diante disso, a orientação é de acompanhamento constante do mercado e atenção aos fatores que influenciam a competitividade e o abastecimento.