Goianésia- O número de jovens endividados no Brasil praticamente dobrou nos últimos anos, impulsionado pelo acesso facilitado ao crédito e pela falta de preparo para lidar com o dinheiro. Levantamento do Banco Central indica que a ausência de educação financeira tem contribuído diretamente para esse cenário, com jovens ingressando cada vez mais cedo no mercado de crédito sem orientação adequada.
Dados internacionais reforçam o problema. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 87% da população erra cálculos básicos envolvendo juros. Além disso, quase metade dos brasileiros afirma que as dívidas geram estresse dentro de casa, e 45% relatam impactos na saúde.
Entre os jovens, a situação é ainda mais preocupante. Em oito anos, o número de endividados saltou de pouco mais de 13 milhões para cerca de 28 milhões. Desse total, quase 5 milhões estão inadimplentes. Para o economista Luís Salvatore, o principal fator por trás desse avanço é o acesso ao crédito sem o devido preparo.
“Isso está ligado a dois fatores principais. O primeiro é o acesso cada vez mais fácil ao crédito, inclusive por meio de fintechs e bancos digitais, que permitem que jovens tenham autonomia financeira desde cedo. Por outro lado, não há um processo consistente de formação para lidar com esse recurso. Vivemos um problema comportamental, marcado pelo consumo imediato, sem reflexão sobre como essas despesas serão pagas.”
O especialista destaca que muitos jovens não avaliam as consequências das decisões financeiras no longo prazo. Situações comuns, como parcelar compras ou adiar pagamentos, podem esconder juros elevados e ampliar significativamente a dívida ao longo do tempo. Esse comportamento dificulta a recuperação financeira e compromete o orçamento.
“Hoje é muito fácil rolar uma dívida. O cartão de crédito, por exemplo, permite o pagamento parcial da fatura, mas muitas pessoas não observam os juros cobrados sobre o valor restante. Não se trata apenas de entender números, mas de compreender as consequências no longo prazo e o quanto se paga a mais por essas decisões.”
Para o economista, a educação financeira deve começar ainda na infância e ser trabalhada de forma contínua, tanto no ambiente familiar quanto nas escolas. Em casa, o aprendizado ocorre no cotidiano, com o acompanhamento dos gastos e a compreensão do valor do dinheiro. Já nas instituições de ensino, o tema pode ser abordado de forma prática, incentivando o consumo consciente e o planejamento financeiro.
Para quem já enfrenta dificuldades, a recomendação é organizar as finanças: registrar a renda, listar os gastos essenciais e identificar para onde o dinheiro está sendo
direcionado. A partir desse controle, é possível reduzir despesas, evitar excessos e iniciar um plano consistente para sair do endividamento.




