Tema divide opiniões entre empregados e empregadores

Goianésia- Uma proposta em análise no Legislativo reacendeu o debate sobre a organização da jornada de trabalho no Brasil. O texto trata de mudanças na chamada escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. A iniciativa busca ampliar o tempo de descanso semanal e promover melhor qualidade de vida.

Ana Paula, vendedora em uma loja de Goianésia, avalia que a alteração pode trazer benefícios, especialmente para quem conta apenas com um dia de folga.

“É muito corrido para a mulher, porque ela é dona de casa, trabalha fora e ainda tem muitos afazeres em casa. É muito cansativo”, relata.

Entre profissionais do comércio e do setor de serviços, a possível mudança é vista como uma oportunidade de melhorar o convívio familiar e reduzir o desgaste físico e emocional. Muitos relatam dificuldade para conciliar trabalho e vida pessoal. Por outro lado, há quem defenda a manutenção do formato atual.

O gerente comercial Jairo Neto acredita que o modelo vigente atende às necessidades do mercado.

“É normal trabalhar nessa escala. A gente folga no domingo e, quando tem feriado, também. Se mudar a escala, mexe muito na organização do trabalho. Do jeito que está, já funciona bem”, afirma.

O tema acompanha um movimento internacional de revisão das jornadas tradicionais. Especialistas apontam que períodos maiores de descanso podem contribuir para o aumento da produtividade, a redução de afastamentos e a melhora do desempenho profissional. A análise é do advogado trabalhista Platon Neto.

“Alguns países já experimentaram redução de jornada, como a Austrália, com resultados positivos na produtividade. O ponto de atenção é evitar que o trabalhador, com mais tempo livre, busque outro emprego para complementar renda. O ideal é que esse tempo seja destinado ao descanso, ao lazer e à convivência familiar”, explica.

Do lado empresarial, surgem preocupações relacionadas aos impactos econômicos. Entre os principais pontos estão o aumento dos custos operacionais e a necessidade de contratação de mais funcionários. O economista André Braga comenta os possíveis reflexos da proposta no comércio.

“Para as empresas, no primeiro momento, pode não ser positivo, porque a redução da jornada pode diminuir a produção e aumentar a folha de pagamento. Isso pode tornar os custos mais altos. Minha preocupação é que, ao longo do tempo, algumas empresas tenham dificuldade para sustentar esses encargos”, avalia.

A proposta segue em tramitação na Câmara dos Deputados e ainda deve passar por novas etapas antes de qualquer definição. Especialistas defendem um modelo que busque equilibrar crescimento econômico e bem-estar social, sem comprometer empregos nem a competitividade das empresas.