Proposta pode afetar preços, empregos e produção

Goianésia- O Fórum de Entidades Empresariais de Goiás encaminhou uma carta aberta a deputados federais e trabalhadores do estado solicitando o adiamento das discussões sobre o fim da escala de trabalho seis por um para 2027.

Na última quarta-feira (22), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema. Com a aprovação, o texto segue agora para análise de uma comissão especial.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, afirma que o documento destaca a necessidade de ampliar o debate, especialmente fora do período eleitoral.

“Estamos tratando de uma mudança que pode gerar impactos significativos. É preciso aprofundar a discussão com a sociedade, avaliando riscos, custos e consequências antes de qualquer decisão”, afirmou.

Segundo o representante do setor industrial, a reforma trabalhista de 2017 já estabeleceu a prevalência do negociado sobre o legislado, permitindo a adoção de diferentes jornadas por meio de acordos coletivos entre empresas e trabalhadores.

André Rocha também ressalta que uma eventual aprovação da proposta pode gerar impactos em diversos setores da economia, com reflexos nos custos de produção, nos preços ao consumidor e em indicadores como a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB).

“Hoje, muitos setores já adotam escalas como o 5 por 2. A jornada 6 por 1 é mais comum em atividades com características sazonais, como comércio, turismo e algumas áreas da produção. As convenções coletivas continuam sendo o principal instrumento para definir essas condições”, explicou.

De acordo com o setor empresarial, estimativas apontam um impacto anual de até R$ 122 bilhões no comércio e cerca de R$ 235 bilhões no setor de serviços, caso haja mudanças na jornada de trabalho nos moldes propostos.