Oferta de crédito cresce, mas exige cautela na utilização

Goianésia-O alto nível de endividamento das famílias brasileiras tem provocado mudanças no comportamento de consumo e refletido diretamente na dinâmica da economia. Com menos margem no orçamento, consumidores passam a priorizar despesas básicas, o que altera a forma como empresas, especialmente as de pequeno porte, se posicionam no mercado.

O gestor do Programa Conexão Financeira do Sebrae Goiás, George Gustavo Toledo, avalia que o cenário exige adaptação por parte dos empreendedores.

“Certamente, nós temos pessoas ou famílias endividadas que acabam consumindo menos e, diante desse consumo mais controlado, a micro e pequena empresa precisa se posicionar para auxiliar essas famílias e também prover produtos que sejam, de alguma forma, viáveis, para que elas também possam consumir.”

A retração nos gastos atinge com maior intensidade áreas ligadas ao consumo não essencial, impactando diretamente o desempenho de diversos segmentos. Ao detalhar esse comportamento, o especialista exemplifica como as escolhas do consumidor mudaram.

“Aqueles setores que não são ligados ao consumo essencial, como moda, calçados, bares, restaurantes e turismo, acabam sofrendo um pouco mais. Se a gente pensa em uma loja de roupas, por exemplo, percebe-se que, às vezes, o cliente deixa de levar um look completo e opta por apenas uma peça.”

Além de fatores conjunturais, há elementos mais amplos que contribuem para o aumento das dívidas entre os brasileiros, envolvendo desde o cenário econômico até hábitos financeiros. Para George Gustavo, a situação exige mudança de comportamento.

“É um sintoma estrutural, e a gente precisa, como sociedade, se atentar para que a educação financeira retorne para dentro das famílias, das empresas e para os indivíduos, para que possamos gerir melhor esse cenário, que é tão desafiador no Brasil.”

Uso do crédito exige cautela

A oferta de crédito, comum em momentos de retração, pode ser tanto uma ferramenta de desenvolvimento quanto um fator de agravamento da situação financeira, dependendo de como é utilizada. O gestor chama atenção para o uso consciente desse recurso.

“O crédito deve ser um instrumento de desenvolvimento, uma política pública nesse sentido. Ou seja, pegar crédito para pagar uma dívida anterior precisa ser muito bem analisado, principalmente em relação aos juros. O ideal, para a micro e pequena empresa, é utilizar o crédito para investimento, crescimento e desenvolvimento.”

Práticas inadequadas na condução dos negócios também contribuem para o agravamento das dificuldades enfrentadas por empreendedores em um cenário de consumo mais retraído. Entre os principais equívocos, George Gustavo aponta falhas recorrentes na administração financeira.

“Uma das principais orientações é não misturar as finanças pessoais com as empresariais. Outra questão recorrente é comprar estoque no ‘feeling’, sem análise. Além disso, baixar preços sem conhecer os custos, usar crédito para cobrir rombos e vender muito a prazo sem acompanhar o que há a receber são erros comuns.”

Apoio e orientação ao empreendedor

Diante desse contexto, iniciativas de orientação e apoio têm sido disponibilizadas para auxiliar empresários na tomada de decisão e na organização financeira. O programa Conexão Financeira reúne ferramentas voltadas à capacitação e ao acesso ao crédito.

“Nós temos três pilares muito importantes para auxiliar o empreendedor. O primeiro é a educação e orientação financeira, com cursos, consultorias e atendimento especializado. O segundo é a relação com os agentes do sistema financeiro, criando um ambiente mais favorável ao acesso a serviços. E, por último, a orientação para o crédito, com sistemas de garantia que facilitam esse acesso.”

Com mudanças no comportamento do consumidor e desafios na gestão, o cenário exige planejamento e adaptação por parte das empresas para manter a sustentabilidade dos negócios.