Cortes mais nobres registram aumento acima da média

Goianésia- O preço da carne bovina registrou aumento de cerca de 4% entre janeiro e abril deste ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Alguns cortes apresentaram elevação ainda maior, com destaque para os mais valorizados, como a alcatra. O movimento é atribuído a fatores do mercado interno e externo.

O avanço das exportações tem impacto direto na oferta disponível no Brasil. No último ano, as vendas externas cresceram mais de 20%, reduzindo a quantidade de carne no mercado interno e contribuindo para a pressão sobre os preços.

De acordo com o analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Marcelo Penha, o setor vive um ciclo influenciado pela valorização do bezerro e pela dinâmica de produção.

Segundo ele, há uma retenção maior de fêmeas no campo, o que reduz o número de animais destinados ao abate no curto prazo. “Existe uma retenção de fêmeas para produção de bezerros, e isso impacta diretamente a oferta”, explicou.

Outro fator citado pelo especialista é a forte demanda internacional pela carne brasileira. O país é um dos maiores exportadores globais do produto, com destaque para mercados como China e Estados Unidos.

Em Goiás, mais de 33% das exportações de carne bovina têm como destino os Estados Unidos, enquanto pouco mais de 20% seguem para a China, segundo dados do setor. Esse fluxo externo contribui para a redução da oferta interna e influencia os preços.

“Devido ao volume de exportação e à regularidade das compras internacionais, o Brasil mantém forte presença no mercado externo, o que também pressiona os preços internos”, afirmou o analista.

A tendência, segundo especialistas do setor, é de manutenção da alta nos próximos meses. Isso ocorre porque a recomposição do rebanho é gradual e depende do ciclo de produção. A valorização do bezerro e o ritmo das exportações devem continuar influenciando o mercado, com possibilidade de aumento acumulado ao longo do ano.