Pequenos negócios lideram mercado no Brasil e em Goiás

Goianésia-O mercado de cafeterias segue em expansão e passa por transformações impulsionadas por novos hábitos de consumo, busca por experiências diferenciadas e valorização de produtos com identidade. Esse cenário foi apresentado no lançamento do boletim Tendências Cafeterias: Valor, Experiência e Decisão no Consumo Diário, divulgado pelo Sebrae durante o Café Fest, realizado no Centro de Convenções Oscar Niemeyer.

O estudo, elaborado pela Unidade de Gestão Estratégica da instituição, mostra que as cafeterias deixaram de ser apenas locais para consumo rápido e passaram a ocupar espaço importante como ambientes de convivência, trabalho e lazer.

Segundo o gerente da unidade, Francisco Lima, o produto ganhou novos significados para o consumidor atual.

“O café deixa de ser apenas uma bebida e passa a expressar estilo de vida, preferência pessoal e até sentimento de pertencimento.”

Brasil ocupa posição estratégica no setor

Os dados apresentados indicam a força econômica da cadeia produtiva. Em 2024, o mercado global de cafeterias movimentou cerca de US$ 178 bilhões, com previsão de crescimento anual de 4,3% até 2030, quando pode ultrapassar US$ 229 bilhões.

O Brasil aparece em posição de destaque, sendo o maior produtor mundial de café e o segundo maior consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos. Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo interno chegou a 21,4 milhões de sacas.

Pequenos negócios lideram segmento

No cenário nacional, o setor reúne aproximadamente 482 mil empresas, sendo 98% de pequeno porte. Em Goiás, são quase 20 mil estabelecimentos, também com predominância de pequenos empreendedores.

Entre 2020 e 2025, o segmento registrou crescimento médio anual de 7,7%, com expansão de 38% no número de empresas ativas. Em 2025, o estoque de empregos chegou a quase 16 mil postos de trabalho no estado.

Consumidor busca experiência e praticidade

O levantamento aponta mudanças no perfil do público, que passou a enxergar cafeterias como um “terceiro lugar”, além da casa e do trabalho. Ambientes acolhedores, atendimento qualificado e experiências personalizadas ganham peso na decisão de compra.

“O consumidor de café de hoje é diferente daquele de dez anos atrás. Ele busca qualidade, mas também experiências, bem-estar e praticidade”, afirmou Francisco Lima.

Tendências abrem novas oportunidades

Entre os movimentos observados pelo estudo estão a valorização da origem sustentável dos grãos, o uso de tecnologia no atendimento e a chamada premiumização acessível, que oferece mais valor agregado sem afastar consumidores.

Também aparecem oportunidades em novos formatos, como cafés prontos para beber, bebidas geladas, como cold brew, e produtos funcionais ligados à saúde e ao desempenho.

Para pequenos empreendedores, o boletim recomenda investimento em diferenciação, definição clara de público-alvo, integração entre canais físicos e digitais e fortalecimento de parcerias locais.

A avaliação do Sebrae é de que a capacidade de adaptação às novas demandas será decisiva para a competitividade de um dos segmentos mais dinâmicos da economia ligada ao consumo diário.