Goianésia - A arrecadação federal proveniente das casas de apostas esportivas on-line licenciadas no Brasil mais que dobrou nos quatro primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com dados do setor, os tributos recolhidos saltaram de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões entre janeiro e abril, aproximando-se do volume arrecadado mensalmente pela indústria do tabaco e pelo agronegócio somados.
Considerando que os impostos representam 37% do faturamento bruto das empresas, estima-se que as plataformas de apostas movimentaram cerca de R$ 12,2 bilhões no período. A expectativa é de que a Copa do Mundo impulsione ainda mais os números nos próximos meses.
Mundial de futebol deve impulsionar movimentação financeira
Especialistas avaliam que a realização da Copa do Mundo tende a ampliar significativamente os valores destinados às apostas esportivas. A consultoria H2 Gambling Capital projeta um acréscimo entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em depósitos durante a competição.
Apesar da previsão de crescimento, o impacto sobre os lucros das empresas permanece incerto. Isso porque o resultado financeiro depende dos desfechos das partidas e dos valores pagos aos apostadores vencedores.
Mercado regulamentado reúne 187 plataformas em operação
O setor passou a operar sob regulamentação federal em janeiro de 2025. Desde então, o Ministério da Fazenda concedeu 85 licenças, permitindo o funcionamento de até três plataformas por autorização. Atualmente, 187 sites estão em atividade no país.
A concentração do mercado permanece elevada. Ao final de 2025, dez marcas respondiam por 68,8% das receitas totais. A Betano, empresa de origem grega, liderava o segmento, concentrando 23% do faturamento.
Número de apostadores cresce e alcança 25 milhões de brasileiros
O contingente de apostadores chegou a 25 milhões de CPFs em 2025. Em meados do ano passado, esse número era de 17 milhões. O gasto médio mensal por participante foi estimado em R$ 123, já descontados os prêmios recebidos.
Pesquisadores da Fundação Getulio Vargas atribuem parte desse crescimento à forte expansão da publicidade das empresas de apostas, que ampliaram sua presença em diferentes meios de comunicação e eventos esportivos.
Especialistas alertam para impactos na saúde pública
O avanço do segmento ocorre em meio a preocupações relacionadas aos efeitos do jogo compulsivo. Um levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com base em dados de 2023, apontou que 4,4% dos apostadores brasileiros apresentam quadro de jogo problemático, caracterizado por dependência e prejuízos financeiros relevantes.
O índice é superior à média mundial, estimada em 2%. O estudo considera diferentes modalidades de apostas, incluindo loterias tradicionais, como a Mega-Sena.




