Goianésia - O Brasil comemora 37 anos da promulgação da Constituição Federal, marco que consolidou a transição do país da ditadura militar para a democracia e estabeleceu princípios fundamentais para a sociedade brasileira. Em entrevista exclusiva à RVC FM, o ex-deputado federal Vilmar Rocha revela que ministra hoje (05/11), no Centro Universitário de Goianésia (UNIEGO), uma palestra sobre o legado da Carta Magna, avaliando o que foi prometido, o que se concretizou e os desafios que ainda persistem.
“Vamos fazer uma análise sobre esses 37 anos: o que a Constituição prometeu para o Brasil e se ela entregou isso, como é que está hoje e, sobretudo, as expectativas para o futuro”, iniciou Vilmar. Ele recordou o papel histórico do presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, que, ao fazer o discurso inaugural, projetou grandes promessas para o país: “O doutor Ulysses Guimarães, presidente, quando fez o discurso no dia da Constituinte, prometeu: ‘Esta Constituição vai trazer a democracia para o Brasil’. Nós estávamos em período de transição, tínhamos saído do regime militar autoritário. Nós fomos à democracia. Então, a democracia era uma promessa da Constituição.”
Para Vilmar Rocha, a democracia brasileira consolidou-se, embora enfrente pressões contínuas: “A democracia teve até um grande estatista que diz que a democracia é como se fosse uma plantinha frágil, que você sempre tem que estar irrigando com água, cuidando dela, porque, senão, ela morre. Então, nesses anos todos, sob pressões, a democracia se manteve, embora o corpo tenha mudado de forma. Temos agora que fazer uma contrapressão para abordar a forma original.”
Além da democracia, a igualdade social foi outro ponto central da Constituição, apontou o ex-parlamentar. “A segunda promessa era a igualdade social. Diziam que o Brasil é muito desigual, tem muita miséria e precisamos caminhar na direção de reduzir a desigualdade social. Por exemplo, nos anos 1980, tínhamos 30 milhões de analfabetos no Brasil. Hoje, temos 8 milhões. Então, com relação à desigualdade social, a situação geral da população melhorou muito, mas a desigualdade estrutural permanece.”
Vilmar também abordou desafios econômicos e a necessidade de reformas estruturais: “Não é só taxar rico e isentar pobre. Até porque temos que ter cuidado para não criar desequilíbrios. A carga tributária é extremamente grande e só vamos conseguir reduzi-la quando reduzirmos o tamanho do Estado, que hoje é ineficiente em suas estruturas federais, estaduais e municipais”, concluiu.



