Especialista avalia avanços, gargalos e oportunidades para os próximos anos

Goianésia -A RVC FM encerrou nesta terça-feira, 2 de dezembro, a série especial “2026 à Vista”, que reuniu especialistas, gestores públicos, lideranças políticas e o prefeito Renato de Castro para discutir os principais desafios e perspectivas de Goianésia. No fechamento da série, o convidado foi o professor universitário Thiago Steckelberg, mestre em Ciências Ambientais, que apresentou uma avaliação ampla sobre o desenvolvimento do município e os caminhos possíveis para os próximos anos.

Demandas prioritárias ganham clareza

Thiago destacou que a série contribuiu para evidenciar as necessidades mais urgentes do município. “Discutimos as principais demandas da cidade, como o anel viário, o Hospital Municipal e a duplicação da GO-080”, observou. Ele avaliou que o atual cenário político oferece uma oportunidade singular para avanços. “Nossos gestores têm conexões que podem favorecer a articulação estadual, uma proximidade benéfica que fortalece o diálogo entre os poderes”, detalhou.

Educação superior em expansão

A educação superior foi um dos temas mais enfatizados na entrevista. O professor ressaltou que a transformação da Uniego em centro universitário abre espaço para novos cursos e amplia a capacidade de inovação acadêmica. “Tivemos um evento na Uniego para viabilizar parcerias com a UFG. Isso contribui para a capacitação docente e fortalece a qualidade do ensino”, afirmou. Sobre a UniRV, classificou a expansão como uma “virada de chave” que consolida Goianésia como polo educacional e reforça a busca por melhores indicadores junto ao MEC.

Para Thiago, esse movimento educacional tem impacto direto no desenvolvimento tecnológico e econômico da cidade. “Estamos focando em demandas ligadas à inteligência artificial. No futuro, Goianésia pode se tornar um polo tecnológico. Isso influencia inclusive o setor produtivo, que enfrenta carência de profissionais qualificados.” Ele também ressaltou a importância do ensino técnico do Sesi/Senai na formação de mão de obra especializada e a chegada do Agrocolégio.

Desafios na saúde exigem soluções estruturais

Ao analisar a saúde, Thiago foi objetivo ao abordar os entraves na construção do novo hospital municipal. “Abrir um hospital é muito mais que erguer estruturas. Existem critérios, demanda técnica e necessidade de profissionais capacitados. O cenário é desafiador, mas essa medida é essencial para acompanhar o crescimento da cidade”, avaliou.

Ele também defendeu uma alternativa estrutural para o futuro. “Um hospital universitário seria viável. A parceria entre educação e poder público pode oferecer uma solução robusta.” Em sua análise, reforçou que o aumento populacional exige planejamento. “O SUS preconiza um leito para cada mil habitantes, e a parceria com a UniRV seria plenamente possível em um futuro próximo.”

Destino do prédio do Credeq

O uso do prédio do Credeq também entrou em discussão. “Há preocupação quando uma estrutura projetada para uma finalidade específica muda de função. Contudo, pela dimensão da obra, um colégio dialoga muito mais com a realidade local. Goianésia, sendo um polo agrícola, só tem a ganhar com mais uma instituição de ensino”, destacou.

Mobilidade urbana pede urgência e planejamento

No campo da mobilidade urbana, Thiago alertou para o avanço acelerado do trânsito. “A cidade está crescendo e o trânsito acompanha esse ritmo. A contorno precisa ser prioridade. O centro está saturado, com grande fluxo de veículos, enquanto a contorno recebe intenso tráfego de caminhões. O anel viário deve ser encarado como prioridade absoluta”, afirmou, lembrando que a duplicação da GO-080 depende de decisão do governo estadual.

Ao final, Thiago ressaltou a relevância do rádio como meio de comunicação comprometido com a informação de qualidade. “Parabenizo a iniciativa. O rádio tem papel essencial na difusão de conhecimento. A série foi extremamente rica. De modo geral, todos demonstraram preocupação genuína com o desenvolvimento da cidade”, declarou. Para ele, divergências são naturais e enriquecem o processo democrático.