Goianésia-A política goiana vive dias de intensa transformação, com mudanças institucionais no governo estadual, articulações partidárias e movimentos que repercutem diretamente no cenário nacional. A combinação entre troca de comando no Executivo, pré-campanha presidencial e rearranjos dentro dos partidos coloca Goiás no centro das discussões políticas do país.
Caiado na disputa presidencial e projeção de Goiás
Em entrevista à RVC FM, no quadro “Falando Sério”, o ex-deputado federal Vilmar Rocha detalhou a respeito da escolha de Ronaldo Caiado como pré-candidato à presidência, destacando o impacto dessa decisão.
“Eu falei que o Caiado seria o escolhido do partido de forma muito contundente, muito afirmativa. E foi o que aconteceu. Primeiro, eu sempre pressionei. Era do grupo dentro do partido que eu achava que o PSD tinha que ter um candidato a presidente da República. E vai ter. Era o Ratinho, agora é o Ronaldo.”
Segundo ele, a candidatura representa não apenas uma estratégia partidária, mas também um avanço para o protagonismo goiano no cenário nacional, algo inédito até então. “É bom para Goiás você ter um nome em nível nacional disputando a Presidência. Nós nunca tivemos.”
Vilmar ponderou, no entanto, que é cedo para prever o desempenho eleitoral. “É muito cedo para a gente fazer uma avaliação. Primeiro porque você tem uma longa pré-campanha até a convenção em agosto. E depois a campanha. Então, muitas coisas poderão mudar daqui até lá.”
Compromisso partidário e cenário eleitoral
O ex-deputado também avaliou a solidez da candidatura dentro do partido e descartou, neste momento, recuos. “Eu não vejo, no horizonte, possibilidade de ele não ser candidato pelo PSD. Não é previsível, a não ser que ocorra algo muito sério, muito grave. O partido tem que ter seriedade, compromisso. Se lançou a candidatura, precisa dar sustentação até o fim.”
Sobre possíveis alianças, como uma composição com Romeu Zema, ele indicou baixa probabilidade no curto prazo. “Eu acho pouco provável, mas é possível. O Zema deverá permanecer no Partido Novo e deverá ser candidato no primeiro turno também à Presidência. A possibilidade maior é de aliança com o PL, e não com o PSD.”
Anistia e debate sobre o 8 de janeiro
Outro ponto abordado foi a declaração de Caiado sobre conceder anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Vilmar explicou os limites dessa proposta. “Primeiro, ele tem que mandar para o Congresso, que precisa aprovar. Não depende só dele. O que depende dele apenas é o indulto.”
Ele também comentou a percepção de parte da sociedade sobre as punições aplicadas. “Uma grande parte da sociedade brasileira quer isso. Ela acha que as penas foram abusivas, exageradas, injustas. Inclusive, eu me incluo nisso.”
Vilmar citou ainda a tramitação de medidas no Legislativo para rever essas punições. “Foi aprovado um projeto de redução das penas. A Câmara aprovou, o Senado aprovou, o Lula vetou. Eu espero que o Congresso derrube esse veto.”
Mudança no governo estadual
Com a saída de Caiado para disputar a Presidência, Daniel Vilela assume o governo de Goiás. Vilmar relatou conversa recente com o novo governador e comentou as expectativas. “Eu falei com ele hoje de manhã, por telefone. Desejei a ele uma posse tranquila, que aproveite bem esse momento, porque é marcante na vida dele.”
Ele avalia que a transição faz parte do funcionamento natural do sistema democrático. “A democracia e as sociedades abertas têm uma grande vantagem: as coisas mudam. Numa sociedade aberta e democrática, há mudanças. E isso é positivo.”
Vilmar acredita que a nova gestão trará renovação administrativa. “É sangue novo, são ideias novas, é uma equipe nova. Isso é muito bom e a gente tem que apoiar. Estou muito esperançoso de que o Daniel vai sair bem.”
PSD, governo federal e contradições políticas
Ao analisar o posicionamento do partido no cenário nacional, Vilmar criticou a permanência de integrantes do PSD no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto a legenda tem candidato próprio. “A sociedade não entende que há um candidato e que parte do partido está no governo que tem outro candidato. É uma situação politicamente desconfortável.”
Ele defendeu uma postura mais clara das lideranças partidárias. “Na política, é preciso ter clareza, ter posição. As pessoas podem gostar ou não, mas sabem qual é a sua posição. É muito ruim, em política, você ter o pé em duas canoas.”
Vilmar também indicou o caminho que considera ideal para o futuro da legenda. “No próximo governo, o PSD tem que ficar longe do PT. A grande maioria do PSD não tem nada a ver com o PT. Então, temos que ficar fora, cada um cumprindo o seu papel”, conclui.




