Determinação para retirar o púlpito vazio que seria destinado ao presidente Lula foi um dos motivos para o cancelamento do debate

Goianésia-Poucas horas depois da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que alterou as regras do debate presidencial da TV Globo, Flávio Bolsonaro (PL), que havia confirmado presença, anunciou que também não participaria do encontro. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia vetado a participação do candidato Renan Santos (Missão), mas, horas depois, o ministro Gilmar Mendes autorizou sua presença. Posteriormente, a TV Globo cancelou o debate após receber novas determinações judiciais que modificaram as regras previstas para o evento.

A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último debate presidencial antes do primeiro turno das Eleições 2026 já havia provocado mudanças no formato do encontro. Na quinta-feira (1º), a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a emissora não exibisse o púlpito reservado ao candidato caso ele não comparecesse ao debate.

A decisão foi tomada após a coligação de Lula questionar no TSE uma cláusula do regulamento que previa a exibição do espaço vazio destinado ao candidato ausente. O petista havia informado que não participaria do debate e, no mesmo horário, concederia entrevista ao Flow Podcast.

A regra não havia sido criada especificamente para a ausência de Lula. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a previsão já estava estabelecida previamente com as campanhas dos candidatos. O PT, inclusive, havia assinado a ata que autorizava a manutenção da cadeira ou do púlpito vazio em caso de ausência.

A utilização desse recurso não é inédita em debates eleitorais. Em 2026, a Band adotou medida semelhante para representar candidatos que não compareceram ao encontro. Há registros anteriores envolvendo Lula: em 2006, durante a campanha pela reeleição, a TV Globo exibiu a cadeira reservada ao então presidente após ele faltar ao debate da emissora.

Na decisão, a ministra Estela Aranha avaliou que a exposição do púlpito vazio poderia gerar efeito negativo sobre o candidato ausente. Segundo a magistrada, a regra poderia funcionar como uma forma de pressão para que os candidatos participassem dos debates, embora a presença nesses encontros seja facultativa.

Além de impedir a exibição do espaço reservado a Lula, a decisão proibiu que os demais candidatos fizessem perguntas diretamente ao petista durante o debate. Para a ministra, a dinâmica poderia gerar desequilíbrio entre os participantes, já que o candidato ausente seria questionado sem a possibilidade de apresentar respostas.