A expectativa é de que o aumento continue nos próximos meses, população devem adotar medidas preventivas e de higiene

Goianésia - Desde a segunda quinzena de fevereiro, os atendimentos a casos de doenças respiratórias em crianças e adolescentes em Goiás têm mostrado um crescimento preocupante, e a previsão é de que esse aumento continue. Fora do período crítico, os pronto-socorros atendem cerca de 3 mil crianças por mês, mas durante os meses mais críticos, como março e abril, esse número pode ultrapassar 4,6 mil atendimentos, representando um aumento de até 56%. A médica infectologista e pediatra Ana Carolina Portes destaca a importância das medidas preventivas para reduzir a incidência e a gravidade das doenças respiratórias: “Lembrar da etiqueta da tosse, tossir no braço, não na mão, porque ao usar a mão, você transmite os vírus ao tocar objetos e outras pessoas. Além disso, é essencial usar máscara se apresentar sintomas respiratórios e manter as vacinações de COVID-19 e gripe em dia para evitar o ciclo de transmissão.”

Embora muitas crianças e adolescentes não participem diretamente das festividades de carnaval, acabam sendo expostos a vírus respiratórios trazidos por familiares que frequentaram eventos e aglomerações. Isso tem contribuído para o aumento de casos de gripes, bronquiolites, pneumonias e infecções virais, como influenza e o vírus sincicial respiratório (VSR). Esse crescimento também eleva a gravidade dos casos, aumentando a demanda por internações e leitos especializados. A médica alerta sobre os riscos das complicações das doenças respiratórias: “Os vírus podem evoluir para uma pneumonia, que afeta o pulmão, ou até abrir portas para infecções bacterianas. Nesse caso, a pneumonia pode ser tanto viral quanto uma co-infecção bacteriana.”

Até o dia 22 de fevereiro, o Brasil registrou aproximadamente 13,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), dos quais mais de 2,2 mil tiveram diagnóstico confirmado de COVID-19. As complicações respiratórias resultaram em 1.194 óbitos, sendo 466 relacionados ao coronavírus, o que representa 80,9% das mortes causadas por vírus respiratórios.